O mês de agosto, como é sabido, é o Mês das Vocações. Estas são chamados de Deus a todos e a cada um de seus filhos e filhas, em particular, para viver como sua imagem e semelhança (Gn 1,26) e desempenhar alguma missão em função dos demais. As vocações são, pois, dons de Deus que capacitam os seus escolhidos para o serviço da Igreja e da sociedade. A cada semana se celebra uma das quatro vocações fundamentais: ao ministério pastoral-sacerdotal, à paternidade, vida conjugal e familiar, à vida consagrada dos frades e freiras e, na última semana, aos serviços e ministérios necessários à edificação da Igreja e do Reino de Deus no mundo; esses, dados a todos os batizados. 

Nesta semana celebramos, dada a proximidade do Dia dos Pais, a vocação à paternidade, a qual implica na vida conjugal e na vida familiar. Essa vocação, ao mesmo tempo paternal, conjugal e familiar, deve ser assumida com responsabilidade; ou seja, como resposta ao carisma dado por Deus. Decorre dai a necessidade de insistir, no atual momento sociocultural, na redescoberta e valorização da dupla dimensão humano-espiritual do ser pai. Num contexto de um sensualismo exacerbado, de uma sexualidade hedonista e descompromissada, e do utilitarismo fácil e irresponsável torna-se prioritário na missão das igrejas, educandários e demais instituições de formação da consciência e da opinião pública o investimento decidido na transmissão de valores às nova gerações.

Assistimos e vivenciamos nas últimas décadas uma lastimável e perversa degradação da consciência moral e ética. A afetividade e sexualidade responsáveis dão lugar a um machismo exacerbado e irresponsável. E, este, com o consentimento e a adesão de uma cultura feminista liberacionista não inclusiva. O amor cedeu lugar ao prazer pelo prazer. O prazer imediato deixou de ser um meio para o fortalecimento do amor, para ser um fim imediato e episódico, que termina nele mesmo. Os novos filhos já nascem órfãos de pais e mães vivos. A instituição familiar ficou relegada a um passado, que dizem já superados. Os lares mais se assemelham a pensões baratas, em que a solidão, a depressão e, até mesmo, o suicídio são mais e mais comuns, não obstante a tamanhas dores.

Urge resgatar, não só na consciência cristã, mas no conjunto da sociedade, o valor insubstituível da família e, nesta, da paternidade responsável. Ser pai é, com a missão de gerar as novas vidas, ser o cuidador primeiro dos seus filhos, o comunicador de valores, o referencial ético para uma família mais equilibrada e feliz. E, por que não dizer, sinal-instrumento da paternidade mesma de Deus-Pai para com todos. Esta, portanto, não se reduz à manutenção material de seus dependentes ou comensais; mas, vai muito além: consiste em ser o referencial humano fundamental para os demais familiares. Como diz a sabedoria popular: “tal pai, tal filho”. Missão cristã altíssima e insubstituível para as demais vidas humanas mais sadias, fraternas e felizes.

As duas causas fundamentais da crise paternal - as condições difíceis de sobrevivência e a crise de valores – estão, pois a exigir da Igreja, como instituição e comunidade de fiéis, uma atitude duplamente profética e pastoral: denunciar tudo o que se opõe à estabilidade da família e promover uma Pastoral Familiar decididamente evangelizadora. Só assim, teremos pais estáveis, maduros e responsáveis e consequentemente novas gerações mais humanizadas. Nesse sentido quero, encerrando esse diálogo, saudar o Movimento Familiar Cristão, os Grupos de Casais da Pastoral Familiar, o Movimento ECC-Encontro de Casais com Cristo, a Pastoral Pré-matrimonial e a Comissão de Defesa da Vida (contra o anorte) pelos relevantes serviços prestados às famílias cristãs, particularmente aos pais. Parabéns aos nossos pais! E permitam-me desejar, de modo especial, ao meu querido pai Geraldo Moreira Guedes uma continuada longevidade saudável e feliz! 

                                                      Medoro, irmão menor-padre pecador