
Agosto é o Mês Vocacional. A cada semana a Comunidade Católica reflete e reza por uma das quatros vocações fundamentais: ao sacerdócio, ao matrimônio, à vida consagrada e aos vários ministérios eclesiais. No último domingo celebramos o Dia dos/as consagrados/as e desde então nos debruçamos sobre a vocação-missão dos religiosos e religiosas. Ao longo desta semana rezamos agradecidos pelos Padres Verbitas da Igreja de São Sebastião, pelas Irmãs Rogacionistas do Colégio Santo Antônio e pelas Irmãs Josefinas da Paróquia e São José. Homens e mulheres que aceitaram o chamado do Senhor à Vida Consagrada para o serviço da Igreja e do Reino de Deus no mundo.
A Vida Consagrada forma na Igreja a Comunidade de Discípulos/as Missionários/as, testemunhas da Trindade para os pobres. Como disseram nossos bispos na Conferencia Latino-americana da Igreja em Aparecida, “Somos chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois a evangelização é um chamado à participação da comunhão Trinitária” (DA 157). Essa é a essência comum de todos os consagrados, que habitualmente chamamos de frades e feiras. São na Igreja e para a Igreja, sinais e instrumentos do que toda a Igreja está chamada a ser. Testemunham que o seguimento de Jesus Cristo é possível a todos os batizados.
Vida Consagrada, conforme o Concílio Vaticano II, possui um enraizamento Batismal, que remete a um jeito de ser Cristão, de viver o Evangelho, uma forma de seguir a Jesus Cristo (a partir do séc.XII, mediante os votos); portanto, uma resposta à vocação à santidade. Dai que o Vaticano II pediu uma volta às fontes, não só as fontes das distintas congregações, mas às origens da vida consagrada: Por que e para que a Vida Consagrada? Sim. Porque o nascimento da Vida Consagrada se dá quando o ser Cristão lamentavelmente tornou-se conveniência e o pastoreio um status. A Vida Consagrada surge como a resposta do evangelho (eremitas, cenobitas). Assim a identidade não se define pelo “diferente”, mas pela busca da vivencia sempre mais radical do Evangelho.
Identidade da Vida Consagrada é pois estilo de vida (e não estado de vida), fundado num carisma para o testemunho na Igreja (=carisma profético). Podemos historicamente distinguir momentos da Vida Consagrada como recriação do Espírito. Recordemos, a título de exemplo, que entre o terceiro e o quinto séculos surge como vida orante no deserto. São os Eremitas e Cenobitas que vivem itinerantes e pobres como reação ao laxismo dos cristãos. Já entre os século 6 e 11 se implantam as ordens monásticas. Os monges vão viver do trabalho e da oração numa área determinada. Diferentes dos eremitas itinerantes, são sedentários nos grandes mosteiros para cultivar ainda mais a oração. A partir do Século 13, em reação ao enriquecimento dos mosteiros, surgem as ordens mendicantes. São os frades e as freiras, pobre, populares, leigos, pregadores do evangelho e à margem do poder clerical. Já no Século 16 emergem as congregações apostólicas que vão servir aos pobres nos hospitais, asilos, orfanatos, cotolengos e escalas.
Na América Latina houve nesses 50 anos do Concílio o ressurgimento da Vida Consagrada em pequenas comunidades, que os Bispos de Aparecida discerniram algumas caraterísticas básicas: testemunho de comunhão; volta ao carisma X estruturas culturais; inserção no meio popular sem ser substituto dos pastores; integração na pastoral local; Missionaridade (Fronteira e Profetismo); novos estilos de consagração com liberdade para excluir ou acrescentar novos votos; valorização dos carismas pessoais e centralidade do carisma funcional; oração em função da missão e de toda Igreja; contemplação e crítica do poder e da riqueza; e inserção no meio popular e cultural (cf DA 217-222). E vemos assim, com esperança, rapazes e moças, buscando essa radicalidade de vida. Surgem as novas comunidades. Rezemos por essas novas vocações à Vida Consagrada!
Medoro, irmão menor-padre pecador