
Darlei Alves,
FAETERJ –0Tecnologia em Logística
Agente da Pastoral da Juventude
Delegado de Três Rios à 3ª Conferência Estadual da Juventude RJ.
Durante os dias 30/10, 01 e 02/11, no Campus Maracanã da UERJ pude dar voz aos jovens de nosso município ao participar da 3ª Conferência Estadual de Juventude do Rio de Janeiro representando a sociedade civil e na disponibilidade de um diálogo que permitisse a fomentação de políticas públicas que pudessem atender aos nossos anseios e garantir o nosso direito como jovens.
Durante os três dias de evento, oficinas de grafite, reciclagem e turbante fizeram parte da programação cultural, além de apresentações paralelas no espaço Cine Rock e na Concha Acústica. Ocorreu também a I Feira de Negócios Criativos, com a participação majoritária de mulheres jovens negras e empreendedoras. Além disso, um stand foi montado no local do evento para quem quisesse fazer a carteira de trabalho, ou retirar uma segunda via.
Junto aos demais representantes de todo o estado, divididos por eixos temáticos pudemos construir uma conferência pautada na pluralidade e na diversidade da juventude do Rio de Janeiro elencando suas reais necessidades e sonhos. A união dos debates focou no intuito de construir propostas para a melhoria do presente e do futuro da juventude. Dentre inúmeras propostas de todo o estado, três de nosso município as quais eu pude apresentar e defender, foram eleitas entre as 21 que vão para a etapa Nacional. A proposta mais votada foi a criação e o fortalecimento dos conselhos municipais que dá voz, vez e lugar ao jovem, principalmente aos marginalizados e excluídos. Vale ressaltar também a proposta que torna obrigatória a instituição da gestão de juventude em todos os municípios, podendo esta ser secretaria, subsecretaria, superintendência e/ou coordenadoria, dependendo da realidade de cada município. Ambas as propostas foram frutos de nossa conferência municipal e um dos grandes anseios de nossa juventude trirriense.
Estou feliz e com o dever cumprido por poder ter contribuído ao eixo 1 que discutiu o Direito à Cidadania, à Participação Social e Política e à Representação Juvenil, de onde saiu o maior número de propostas encaminhadas e a proposta mais votada. Ser um jovem de periferia e poder representar a juventude do município na Conferência é um grande avanço e uma enorme satisfação. É fato de que a juventude do interior precisa ter voz, e para mim foi de extrema importância poder representá-la. A construção de políticas públicas para a juventude faz parte da democracia na qual o jovem precisa estar inserido, e esse foi o principal intuito da conferência: “Participação e diálogo para avançar mais”.
Diante de um mar de ideologias e convicções, a conferência foi um espaço de troca de experiências, onde consegui dialogar com outras juventudes de diversas tribos, descobrir assim outras bandeiras de lutas. Contudo, me coloquei como voz profética em defesa da vida da juventude e dos direitos que promovem a dignidade e inclusão dos jovens. Os ensinamentos do Cristo Libertador foram os meus alicerces nas bandeiras que levantei e defendi: a favor da vida e contra a todo tipo de violência e extermínio de jovens.
As contribuições foram feitas. Precisamos agora identificar e vencer todos os obstáculos que atrasam o avanço nas políticas públicas para a Juventude. Ouvir o que o jovem tem a dizer é o que nos faz avançar no diálogo, na construção e no colocar em prática.
É unindo forças que nós jovens e poder público poderemos juntos superar as adversidades e lutar para a construção de uma sociedade cada vez melhor para todos! A participação de todos é fundamental. O primeiro passo foi dado: levar nossas ideias, bandeiras de lutas e questionamentos para serem colocados em pauta para uma discussão mais ampla. Agora vamos em busca do diálogo com o Poder Público Municipal, para assim traçarmos o que pode ser colocado em prática para o desenvolvimento de políticas públicas para a nossa Juventude Trirriense. É lutar pela conquista e garantia de direitos para as juventudes. E isso tem que ser feito em coletividade, unindo forças. Pois o querido Papa Francisco nos diz: “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem” (Evangelli Gaudium, nº 02).
Agradeço aos jovens trirrienses que confiaram a mim a tarefa representá-los na etapa estadual, dizendo-lhes que a doce alegria que trago comigo, é a de estar à serviço, principalmente dos jovens mais empobrecidos, vítimas da discriminação e de violências, privados de direitos e sem perspectivas. “Quero seguir adiante, rompendo barreiras e construindo pontes“ “com a luta sofrida de um povo que quer ter voz, ter vez, lugar...” na segurança de jamais desanimar e de nunca perder a confiança e nem a esperança. A realidade pode mudar. Vamos assumir o compromisso de profetizar e despertar o desejo de melhoria na qualidade de vida de nossos jovens, frutos de nossa terra.
Medoro, irmão menor-padre pecador