
Neste ano, o Mês Missionário tem como tema “Enviados para testemunhar o Evangelho da paz”, com o objetivo de sensibilizar, despertar novas vocações missionárias, para a missão em nossas cidades e pelo mundo todo. O Papa Francisco desde o início de seu pontificado tem nos convidando a agir sem medo e sem rigidez, com coragem e igualmente “dóceis” ao Espírito, para além das estruturas que nos asfixiam. Uma Igreja não burocrática, mas uma Igreja em saída, próxima das pessoas.. Assim, não só missão além fronteiras, mas também ao nosso redor. E esta deve incluir uma clara dimensão social.
O mês de outubro é uma oportunidade para animar a realização das atividades missionárias no Brasil e no mundo. Neste ano em que as Pontifícias Obras Missionárias (POM) celebram 40 anos de missão, queremos lembrar a vida de tantos missionários que construíram essa história. Recordamos, de modo especial e agradecidos, os missionários verbitas que há décadas evangelizam a nossa cidade. Ao lado deles, as queridas religiosas das congregações das Filhas de São José e das Irmãs do Divino Zelo. E, em contra partida, a nossa Igreja trirriense tem enviado também, os seus filhos em missão: Pe Djalma, Pe Rene, Pe Alexandre, Ir Eliene, entre outros. Sim. Quantos leigos e leigas por toda parte anunciando o Evangelho que salva!
O Diretor da POM, Pe Maurício da Silva Jardim, nos lembra que Jesus convocou o grupo dos doze para que primeiro ficassem com Ele e depois os enviou a pregar (Cfe. Mc 3,14). “A primeira tarefa do missionário (a) é ficar com Ele para deixar-se conformar pela Sua identidade. Desse encontro, nasce a missão que não tem fronteiras. O envio é até os confins da terra, ou seja, até as periferias geográficas e existenciais. Ao sermos enviados, não anunciamos a nós mesmos e a nossos projetos, mas ao Evangelho, boa notícia de salvação para todos”.
A missão é, pois, de Deus pela qual somos chamados a colaborar. Os batizados receberam “a missão de anunciar o Reino de Cristo e de Deus” e “de estabelecê-lo em todos os povos” (LG 5). Não podemos fugir dessa responsabilidade. A missão por sua natureza é sempre um serviço de partilha, comunhão e solidariedade. Esta participação se realiza de três formas: 1) pela oração, sacrifício e testemunho de vida, que acompanham os passos dos missionários e das missionárias, mundo afora; 2) por meio da ajuda material dos projetos missionários: “Deus ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7); e principalmente, 3) colocando-se à disposição para servir na missão ad gentes. Sem missionários e missionárias não há missão.
Lembremos enfim a ênfase que o Papa Francisco dá à dimensão existencial da missão: “Eu sou uma missão de Deus nesta terra, e para isso estou neste mundo” (Evangelli Gaudium, 273). A vida se torna uma missão. Ser missionário (a) está além de cumprir tarefas ou fazer muitas coisas. Está na ordem do ser. É existencial, identidade, essência e não se reduz a algumas horas do dia. Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate o papa chega a afirmar: “Não é que a vida tenha uma missão, mas a vida é uma missão” (27). E mais. Conforme o Diretor da POM, “Missão é paixão por Jesus Cristo e simultaneamente paixão pelo seu povo” (Evangelli Gaudium, 268). Sem essa paixão, a missão é reduzida e dispersa, e saímos para muitas outras coisas, andando de um lado para o outro sem mística e ardor. Portanto, missão é questão de paixão e identidade cristã.
Medoro, irmão menor-padre pecador