
Dentro do espírito eclesial do Papa Francisco que insistentemente nos conscientiza e compromete numa Igreja em saída, aconteceu em Roma, ao longo do mês de outubro, o Sínodo da Juventude. Trata-se de uma reunião com bispos de quase todos os países do mundo para pensar e tomar atitudes sobre a evangelização; no presente caso, a evangelização da juventude. Por isso, participaram também lideranças juvenis dos cinco continentes.
O referido Sínodo cujo tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” foi preparado, nas bases, especialmente pelas pastorais e movimentos eclesiais juvenis. No inicio do Sínodo, as palavras de Dom Vilsom Basso, bispo de Imperatriz (MA) e um dos responsáveis na CNBB pela evangelização dos jovens, também ali presente, exprimiu esta sensibilidade eclesial: “Se a Igreja não abre espaço para a juventude, ela não será uma Igreja em saída”.
“Falem com coragem, digam o que vocês gostariam de dizer. Se alguém se sentir ofendido, peçam perdão e continuem…” Foi a exortação do Papa Francisco dirigida aos jovens, já na reunião pre-sinodal. Essa abertura do Romano Pontífice ao diálogo corresponsável e maduro com cerca de 300 jovens vindos, como disse, dos 5 continentes, de várias religiões e também ateus, nos interpela, por si só, a buscar novos caminhos de diálogo, testemunho e anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo às novas gerações.
Ao término desta XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos dedicada aos jovens, na Missa de encerramento presidida pelo Papa Francisco, na manhã do domingo 28 de outubro, na Basílica de São Pedro, antes da bênção final o secretário geral do Sínodo, cardeal Lorenzo Baldisseri, leu a carta dos Padres Sinodais aos jovens, a qual publicamos a seguir na íntegra:
A vocês, jovens do mundo, nós Padres Sinodais nos dirigimos com uma palavra de esperança, confiança e consolação. Nestes dias, nos reunimos para escutar a voz de Jesus, “o Cristo, eternamente jovem”, e reconhecer Nele as vozes dos jovens e seus gritos de exultação, lamentos e silêncios.
Sabemos de suas buscas interiores, das alegrias e das esperanças, das dores e angústias que fazem parte de sua inquietude. Agora, queremos que vocês escutem uma palavra nossa: desejamos ser colaboradores de sua alegria para que suas expectativas se transformem em ideais. Temos certeza de que com sua vontade de viver, vocês estão prontos a se empenhar para que seus sonhos tomem forma em sua existência e na história humana.
Que nossas fraquezas não os desanimem, que as fragilidades e pecados não sejam um obstáculo à sua confiança. A Igreja é sua mãe, não abandona vocês, está pronta para acompanhá-los em novos caminhos, nas sendas mais altas onde o vento do Espírito sopra mais forte, varrendo as névoas da indiferença, da superficialidade, do desânimo.
Quando o mundo, que Deus tanto amou a ponto de lhe doar seu Filho Jesus, é subordinado às coisas, ao sucesso imediato e ao prazer, pisoteando os mais fracos, ajudem-no a se reerguer e a dirigir seu olhar ao amor, à beleza, à verdade e à justiça.
Por um mês, nós caminhamos juntos, com alguns de vocês e muitos outros unidos a nós com a oração e o carinho. Desejamos continuar o caminho em todas as partes da terra onde o Senhor Jesus nos envia como discípulos missionários.
A Igreja e o mundo precisam urgentemente de seu entusiasmo. Sejam companheiros de estrada dos mais frágeis, dos pobres, dos feridos pela vida.
Vocês são o presente, sejam o futuro mais luminoso!
Medoro, irmão menor-padre pecador