
Estamos nos últimos dias de agosto, no qual celebramos o Mês Vocacional. No próximo domingo, 01 de setembro, iniciamos o Mês da Bíblia. Este ano já é o 48º em que a Igreja no Brasil comemora o mês dedicado à Palavra do Senhor. Desde o Concílio Vaticano II, convocado em dezembro de 1961, pelo papa João XXIII, a Bíblia ocupou espaço privilegiado na família, nos círculos bíblicos, na catequese, nos grupos de reflexão, nos movimentos eclesiais e nas comunidades. Em um de seus documentos, a Dei Verbum (Constituição dogmática sobre a Divina Revelação), o Concílio orientou a Igreja a colocar a Bíblia no centro de sua atuação pastoral, catequética e litúrgica, como “regra suprema de sua fé”.
No Brasil o Mês da Bíblia, iniciou em 1971, em Belo Horizonte. A partir de então, cada ano, no mês de setembro, a CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sugere um texto bíblico ou um livro da Bíblia para ser estudado durante o mês, dando continuidade à temática da Campanha da Fraternidade. Neste ano o estudo da Primeira Carta de João, com destaque para tema: O Amor em defesa da vida. E como lema “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). O tema foi escolhido a partir da proposta pastoral do Documento de Aparecida para os anos 2012 a 2019: “Ser discípulos Missionários de Jesus Cristo, para que Nele nossos povos tenham vida”.
Assim, nos anos de 2016 a 2019, está sendo aprofundada a segunda parte: “para que Nele nossos povos tenham vida”. O tema central é a defesa da vida. Em 2016, primeiro ano, refletiu-se sobre a Profecia de Miqueias; em 2017 foi a Primeira Carta aos Tessalonicenses; em 2018 foi o Livro da Sabedoria; e neste quarto ano, 2019, é a vez da Primeira Carta de João. O verbo amar é a palavra chave da Primeira Carta de João. O lema recorda que o amor provém de Deus e chega a todas as criaturas. O amor é convite que pede uma resposta que é amar. Assim a resposta ao amor de Deus é o amor aos irmãos. Paixão por Deus, como temos insistido, implica necessariamente compaixão pelos irmãos.
Ao longo das próximas quatro semanas vamos pois aprofundar o tema que será discutido, partilhado e rezado. Na primeira semana refletiremos 1Jo 1,1-10, quando João testemunha sua experiência com a Palavra da Vida e exorta sobre a necessidade de comunicá-la. Na semana seguinte contemplaremos Jesus como oferenda de expiação, o mandamento novo e o permanecer em comunhão com Deus e com o outro. Na terceira semana, a reflexão será sobre quem são os anticristos mencionados em 1Jo 2,15-3,10 e na última semana refletiremos e rezaremos sobre o que significa acreditar que Jesus é o Messias e o Filho de Deus e quais as consequências práticas, vivenciais do Batismo.
Convidamos aos amigos leitores desta Coluna, aos fieis engajados nos Círculos Bíblicos, nas pastorais e movimentos eclesiais e, de modo muito afetivo, aos cristãos que pertencem a outras Igrejas Cristãs, não católicas, a vir refletir conosco a Primeira Carta de João. Pois a Palavra de Deus deve ser “lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho” (Sl 119,105). Sim, porque esta Palavra “tem o poder de comunicar a sabedoria que conduz a salvação pela fé em Jesus Cristo […] é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra” (2 Tm 3,15-17). Iluminado e sustentado por esta Palavra o cristão será capaz de ser firme na fé e solícito no amor aos demais.
Medoro. Irmão menor-padre pecador