
Nessa Semana da Pátria, como já se tornou tradicional, o Movimento Fé e Política, com apoio da Cáritas Diocesana e da Região Pastoral II da Diocese de Valença, com o tema A Presença da Igreja no Mundo de Hoje, promoverá o 3º Seminário de Fé e Política. Animados por esse momento de verdadeiro renascimento das melhores tradições cristãs e do Concílio Vaticano II, que vem sendo a marca do pontificado do Papa Francisco, teremos durante a semana, sempre no horário de 19h30min, no Centro de Evangelização Oficina de Nazaré, da Igreja São José Operário, no bairro Triângulo, quatro momentos memoráveis de reflexão.
A abertura foi ontem, dia 8, terça-feira. Uma palestra de Névio Fiorin, do Instituto de Estudos da Religião (ISER-Assessoria) com exatamente o título do seminário (A Presença da Igreja no Mundo de Hoje) serviu de ponto de partida para uma série de eventos, que certamente, sob a iluminação do Espírito Santo, servirão de bússola para a reflexão e ação política dos cristãos de nossa cidade e região.
Hoje, quarta-feira, dia 9, será a vez do nosso Bispo Diocesano D. Nelson Francelino Ferreira que abordará o tema Fé Cristã e Compromisso Político: Desafios e Perspectivas, onde certamente, e a exemplo do que vem acontecendo em suas homilias e palestras, será enfatizada a mensagem pastoral orientadora para nossa Igreja particular.
Amanhã, quinta-feira, dia 10, a palestra estará a cargo de outro pensador do ISER. Ivo Lesb00aupim que nos brindará com sua abordagem do tema Louvado Seja! A Nova Enciclíca do Papa Francisco. E fechando o Seminário, na sexta-feira, dia 11, o deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro Alessandro Molon, uma reconhecida liderança dos católicos que atuam na política, é do Partido dos Trabalhadores e vai falar sobre A Conjuntura Política e Econômica e o Congresso Nacional.
As atividades da Semana não terminarão com as palestras, dando continuidade a semana, nos dias 12 e 13, a cidade de Angra dos Reis sediará o 7º Encontro Estadual de Fé e Política. O tema é exatamente o mesmo adotado no nosso 3º Seminário: A Presença da Igreja no Mundo de Hoje. Com a participação de representantes do nosso Movimento Fé e Politica Regional.
Essa presença da Igreja, que pressupõe a atuação de leigos e religiosos na vida cotidiana das suas respectivas comunidades, e, de acordo com as posições que vem sendo manifestadas pelo Papa Francisco, deve se basear no entendimento de que o atual sistema global, segundo as palavras do Papa “que impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza (…) é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…. E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia São Francisco”.
E, que ainda segundo o Papa Francisco falando em sua recente visita a Bolivia: “Quando o capital se converte em ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez pelo dinheiro tutela todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, coloca povo contra povo e, como vemos, até põe em risco esta nossa casa comum”.
Esse quadro terrível cuja veracidade constatamos não apenas nos meios de comunicação com a tragédia dos refugiados, das quebradeiras de países, da violência contra os mais fracos, mas também nas ruas e lares das nossas próprias cidades, deve ser enfrentado pelos cristãos. Como ele disse “o atual sistema é uma ditadura sutil e cabe aos mais pobres e excluídos à ação. Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas criativas na busca diária dos três ‘T’ (trabalho, teto, terra), e também na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem!”.
E nessa exortação para ação o Papa também orientou quais devem ser os três principais objetivos: a colocação da economia a serviço dos povos: “Esta economia é não apenas desejável e necessária, mas também possível. Não é uma utopia, nem uma fantasia. É uma perspectiva extremamente realista. Podemos consegui-la”; a união dos povos no caminho da paz e da justiça: nenhum poder efetivamente constituído tem direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania e, quando o fazem, vemos novas formas de colonialismo que afetam seriamente as possibilidades de paz e justiça; e, a defesa da Mãe Terra: “a casa comum de todos nós está sendo saqueada, devastada, vexada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave. Vemos, com crescente decepção, sucederem-se uma após outras, cúpulas internacionais sem qualquer resultado importante.
Na mesma ocasião, o Papa Francisco também teceu duras críticas às empresas de comunicação social: “A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Como dizem os bispos da África, muitas vezes pretende-se converter os países pobres em ‘peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigante”, afirmou.
Como podemos ver, as tarefas para as quais o Papa nos convoca são enormes, trabalhosas, mas não são impossíveis. Ainda mais que para nós cristãos, que cremos na vitória da vida sobre a morte, o impossível não existe. Que as reflexões do 3º Seminário sejam como alimento para a nossa ação imediata: Vida em primeiro lugar, conforme clamamos no 7 de setembro, junto à Mãe Aparecida, no 21º Grito dos Excluídos.
Medoro, irmão menor – padre pecador