
Nos Dias de São José Operário, comemorado anualmente em 19 de março e 1º de maio, temos a oportunidade de celebrar um dos santos mais queridos do povo brasileiro, que possui grande devoção por ele, devido aos testemunhos de graças recebidas, sua personalidade branda e serena, seu amor imensurável pela Virgem Maria e seu filho Jesus, por seu cuidado com a Igreja Católica em todo o mundo, o zelo pelas famílias e a proteção do operariado. No fundo, a verdade é que o papel desempenhado por São José na História da Salvação foi de fundamental importância, motivo pelo qual o povo brasileiro se identifica com ele. E nós, nesse tempo da pandemia do Novo Corona Virus, queremos, como povo trabalhador, nos por sob sua proteção.
Esta data de 1º de maio como “Dia do Trabalho”, é uma referência à greve geral desencadeada em 1886 e que foi assumida posteriormente como uma data de luta pelos direitos da classe trabalhadora. A questão do trabalho está nas origens do que chamamos hoje de Doutrina Social da Igreja (DSI), pois a Revolução Industrial no final do século XVIII trouxe desafios enormes para os cristãos e obrigou a Igreja a um posicionamento. Já a instituição dessa mesma data, como Dia de São José Operário se deu em 1955, pelo Papa Pio XII. Assim, a Igreja reconheceu que São José, o protetor da Igreja, assumiu a responsabilidade de não desamparar nenhum trabalhador, seja ele da indústria, do campo, autônomo, homem ou mulher. O Santo Padre, na ocasião disse: “Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire a vida social, as leis da equitativa repartição de direitos e deveres”.
Recordemos que o Papa Leão XIII, em 1891, se manifestou sobre a chamada “questão operária”, em uma época em que se começava a distinguir duas classes antagônicas: patrão e operários. Em sua encíclica intitulada Rerum Novarum (Das Coisas Novas) ele definiu o trabalho como uma atividade humana destinada a prover às necessidades da vida, especialmente a sua conservação (RN 6). Salientou, ainda, que o trabalho tem uma dignidade e não se deve ter vergonha de trabalhar para ganhar o pão do dia-a-dia, uma vez que o próprio Jesus quis ser trabalhador (RN 15). Ainda, segundo esse Pontífice, o trabalho é pessoal e necessário: ‘pessoal’ porque a força empregada no trabalho é propriedade daquele que o exerce e o recebeu para a sua utilidade; é ‘necessário’ porque o homem precisa dele para sobreviver. Em conclusão, afirma que o trabalho tem prioridade sobre o capital.
Destacamos, nessa história do 1º de maio, que em 1981, no aniversário dos 90 anos da Rerum Novarum o Papa João Paulo II publicou uma encíclica sobre o trabalho, com o título Laborem Exercens (O Exercício do Trabalho). Neste importante documento da DSI ele aborda o trabalho como uma questão sempre atual e perene, inovando em alguns conceitos que vinham desde a Rerum Novarum. Partindo do texto bíblico do Gênesis, o Pontífice distingue entre o trabalho em sentido objetivo (tecnologia) e subjetivo (o homem que trabalha) e conclui com o princípio ético de que o trabalho é para o homem, não o homem para o trabalho, criticando o materialismo econômico no qual o homem é tratado como instrumento de produção.
O trabalho humano é uma vocação para transformar o mundo, um serviço em que o amor aos irmãos se desenvolve e no qual a própria criatura se realiza contribuindo incessantemente para a humanização da sociedade. O trabalho é uma chave, e provavelmente a chave essencial de toda a questão social, se procurarmos vê-lo verdadeiramente sob o ponto de vista do bem do homem. O Papa João Paulo II proclama, por fim, na Laborem Exercens, a prioridade do trabalho sobre o capital. No processo de produção, o trabalho é a causa eficiente primária, enquanto o capital é causa instrumental. Esse é um conjunto de coisas (dinheiro, máquinas etc), ao passo que o homem, só ele, é uma pessoa. Não se pode separar o trabalho e o capital, nem mesmo contrapor um ao outro, muito menos ainda colocar o capital acima do trabalhador.
Na última mensagem para o Dia do Trabalhador, o Papa Francisco definiu o desemprego atual como uma “tragédia mundial” e pediu a intercessão de São José por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo. E fez votos de que a figura de são José, “o humilde trabalhador de Nazaré, nos oriente em direção a Cristo, sustente o sacrifício daqueles que praticam o bem neste mundo e interceda por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo, uma tragédia mundial nesses tempos”. E nós, aqui da Paróquia de São José Operário, em Três Rios, fiéis a essa rica tradição da Igreja e em comunhão com o Papa Francisco, queremos reafirmar o nosso compromisso orante e solidário com o povo trabalhador! Suplicamos nessa hora, pelo fim da pandemia, pela busca da nova ordem econômica e pela justiça e paz em nosso país!
Medoro, irmão menor-padre pecador