Neste 07 de setembro, Dia da Pátria, pelo Grito do Ipiranga, o Brasil inteiro, especialmente no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a nação brasileira dá o seu Grito dos Excluídos: A Vida em primeiro lugar! As paróquias de nossa Diocese de Valença fazem, junto a muitas outras dioceses, a Romaria dos Trabalhadores a Aparecida, SP. Ali participam de uma Caminhada dos Trabalhadores – a partir do Porto Itaguaçu para o Santuário Nacional -, celebram a Missa pela Pátria e fazem o Grito dos Excluídos.

O lema do Grito nasceu, este ano, a partir de uma afirmação do Papa Francisco. Assim, se chegou a “Este sistema é insuportável: exclui, degrada e mata”. Segundo o Grito, é notório que nos momentos de crise, seja política, econômico-social, que estes sistemas não suportam as mulheres, os pobres, os negros, os excluídos da sociedade. Dessa forma, sempre alguém será violado de diferentes formas, seja excluído, exterminado, ausente dos direitos básicos, nos explica a comissão responsável pelo evento.

O lema perpassa, - continua a comissão - então, pelas várias crises, inclusive a humanitária. Cada vez mais se vive em guetos, se alimenta a intolerância, se destroem os valores humanos. E a engrenagem do sistema passa por cima de quem não compactua com as regras de sobrevivência e da própria vida em sociedade. “O lema este ano é bem desafiador. Vamos botar o povo na rua e denunciar as mazelas desta sociedade excludente em que vivemos”, ressalta a Secretaria Nacional.

Esse momento foi preparado em nossa Região Pastoral 2 – compreendida pelos municípios de Três Rios, Paraíba do Sul, Sapucaia e Levi Gasparian – pelo Movimento Fé e Política. Este realizou a 4ª Semana da Cidadania, na Igreja São José Operário. Sob o tema “Os cristãos e os desafios do Mundo Urbano”. Quatro noites foram dedicadas ao 5º Seminário de Fé e Politica que, com conferencistas locais e do estado, aprofundaram a exortação do Papa Francisco: enquanto a ordem mundial e revela impotente para assumir responsabilidades, a instância local pode fazer a diferença (Laudato Si, 179), na perspectiva do exercício da cidadania e da politica na cidade.

Houve uma noite cultural em que as oficinas de inclusão social da Pastora da Juventude apresentaram de formar encantadora seus trabalhos na área da música. E veio culminar a noite a Camerata de Violões de Três Rios, sob a competentíssima regência e seu Maestro Felipe Corretiero. Seguiu-se uma confraternização sob o encanto do tecladista José Maria. No domingo o bispo Diocesano, Dom Nélson Francelino Ferreira celebrou a Missa pela Pátria convocando os cristãos à responsabilidade politica imediata frente às eleições municipais. E hoje, estamos em Aparecida, unidos ao Brasil pela vida em primeiro lugar.

Coincidiu essa rica programação com a canonização da Madre Tereza de Calcutá, de cujo milagre em favor de um brasileiro definiu o seu reconhecimento como santa. Dela são as frases que transcrevo encerrando esse nosso encontro semanal. Palavras diretas, fortes e desafiadoras:

1) Se você julga as pessoas, você não tem tempo para amá-las.

2) A maior doença do Ocidente hoje não é a lepra nem a tuberculose; é ser indesejado, não ser amado e ser abandonado. Nós podemos curar as doenças físicas com a medicina, mas a única cura para a solidão, para o desespero e para a desesperança é o amor. Há muitas pessoas no mundo que estão morrendo por falta de um pedaço de pão, mas há muito mais gente morrendo por falta de um pouco de amor. A pobreza no Ocidente é um tipo diferente de pobreza – não é só uma pobreza de solidão, mas também de espiritualidade. Há uma fome de amor e uma fome de Deus.

3) Qual é o meu pensamento? Eu vejo Jesus em cada ser humano. Eu digo para mim mesma: este é Jesus com fome, eu tenho que alimentá-lo. Este é Jesus doente. Este tem lepra ou gangrena; eu tenho que lavá-lo e cuidar dele. Eu sirvo porque eu amo Jesus.

4) Eu rezo para vocês entenderem as palavras de Jesus: “Amai-vos como Eu vos amei”. Perguntem a si mesmos: “Como foi que Ele me amou? Será que eu realmente amo os outros da mesma forma?”. Sem esse amor, nós podemos nos matar de trabalhar, mas isso vai ser só trabalho, não amor. Trabalho sem amor é escravidão.

5) O que você está fazendo eu não posso fazer, o que eu estou fazendo você não pode fazer, mas, juntos, nós estamos fazendo uma coisa bonita para Deus, e esta é a grandeza do amor de Deus por nós – nos dar a oportunidade de ser santos pelas obras de amor que fazemos, porque a santidade não é um luxo de poucos. É um dever muito simples para você, para mim – você na sua posição, no seu trabalho, e eu e os outros, cada um de nós, no trabalho, na vida em que demos a nossa palavra de honra para Deus. Nós temos que transformar o nosso amor a Deus em ação viva.

6) Quando um pobre morre de fome, não é porque Deus não cuidou dele. É porque nem você nem eu quisemos dar a ele o que ele precisava.

Medoro, irmão menor-padre pecador.

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