A Igreja no Brasil celebra setembro como o Mês da Bíblia. Um tempo forte de evangelização que desperte e intensifique nos cristãos o amor à Palavra de Deus. E nessa perspectiva se promovem momentos fortes de formação bíblica e de multiplicação dos Círculos Bíblicos, “uma Igreja em cada rua”. Nestes os fiéis se reúnem semanalmente com seus vizinhos para a reflexão das Escrituras. E a cada ano um Livro Sagrado é estudado. Nesse mês estamos estudando a teologia do Profeta Miquéias.

            Miquéias é o último profeta do século VIII em que a denúncia social profética atinge seus níveis mais altos. Daí ser considerado um dos maiores porta-vozes da justiça, num ambiente em que a presença de militares e funcionários reais devia ser frequente e, pelo que conta Miquéias, não muito benéfica. Além dos impostos, é provável que recrutassem trabalhadores para conduzi-los a Jerusalém. Latifundismo, impostos, roubo a mão armada, trabalhos forçados, é o ambiente que rodeia o profeta. O titulo do livro situa sua atividade durante os reinados de Joatão, Acaz e Esequias, isto é, entre os anos 740-698 aproximadamente.

            Neste livro do profeta Miquéias encontramos severas criticas à cidade e aos governantes, anunciando sua ruína; todavia, na perspectiva de um caminho novo, de esperança, desde que houvesse um chefe e a cidade se alicerçasse em bases justas. O seu pensamento é simples: ele proclama que os desastres políticos que ameaçam Israel e Judá derivam da ira de Iahweh, que o povo suscitou com seus pecados de opressão e desonestidade, a prática de cultos supersticiosos, a importância primordial da autêntica moral. A exemplo de Jeremias, Miquéias descreve uma derrocada da moral e da confiança mútua. Iahweh não destruirá completamente o seu povo, mas tratará de impor-lhe as regras da moral tradicional. Por fim, a esperança de Israel se funda na grande misericórdia de Iahweh: Iahweh restaurará a nação sob um novo Davi (5,1-3).

            Ainda hoje a mensagem de Miquéias nos é atual. Ela não nos apresenta sistemas fechados, mas nos insere no plano da desinstalação, do incomodar-se, e incomodar, do sentir com maior profundidade a dinâmica “revolucionaria” da esperança que nos compromete com um mundo novo. Logo, uma mensagem que deve perpassar toda nossa história de vida, traduzindo-se em fatos concretos que nos integre no profetismo tão necessário nos dias atuais. Uma mensagem que desinstala-nos das estruturas arcaicas, do nosso viver religioso acomodado, alienado e omisso que não provoca mais questionamentos na sociedade. Miquéias condena assim, um viver religioso “doce demais”, que não nos insere na dinâmica transformadora do amor; que não nos insere na denuncia das estruturas de morte, que hoje são tão difundidas, e às vezes nós somos grandes propagadores das mesmas.

            A dinâmica profética de Miquéias é atualíssima é um “tratado de vida”, um itinerário eficaz para quem quer se aventurar no caminho do profetismo. Sendo assim, concluímos que a mensagem profética de Miquéias, é como o caminho que não se resume apenas em denunciar e condenar a injustiça dos poderosos dos impérios civis e religioso, mas preocupa-se principalmente em apontar para o povo a esperança. Dai, o caminho: “Pratique a justiça, ame a misericórdia e caminha com humildade com o Senhor” (Mq 6,8), que iremos aprofundar num grande encontro, na Igreja São José Operário, no Triângulo, no próximo domingo, dia 18 de setembro, às 14h, sob a orientação do CEBI-Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, de Juiz de Fora. Você, caro leitor, é nosso convidado.

Medoro, irmão menor-padre pecador