A Igreja-matriz de Santa Luzia, no último dia 03 de julho, sexta-feira, foi pequena para a grande multidão de fiéis que ali acorreu para dizer um afetuoso “Muito obrigado!” ao seu querido pároco. Pe Geraldo Ferreira Dias celebrava os seus 58 anos de ministério pastoral e a passagem para o novo ministério que a Diocese de Valença lhe confia: de Vigário Paroquial de Vassouras. Fizeram-se também presente o bispo diocesano, Dom Nélson Francelino Ferreira, várias padres, o prefeito Vinicius Farah, vereadores amigos, líderes comunitários, entre outros representantes da sociedade civil.

            Sua vida e ministério, a exemplo de Jesus, revela, na feliz expressão do Papa Francisco, um “pastor com cheiro de ovelhas”. Nasceu em Teófilo Otoni, MG, em 10 de maio de 1931. Filho de Antônio Pereira Dias e Dejanira Ferreira Dias. Cresceu, conforme testemunhou, em uma família unida, religiosa e de prática cristã. Com a mudança de sua família para Itambacuri, pôde viver sua 2° infância e cursar o ensino fundamental, na Escola Normal Santa Clara, das Irmãs Clarissas Franciscanas, em cuja linda capela foi coroinha, durante quatro anos. Edificado pela vida de virtuosos capuchinhos, foi, ainda adolescente, para o Seminário Seráfico São Francisco de Assis, em Santa Teresa, ES, junto com seis colegas conterrâneos. Dali, foi para o Noviciado, em Taubaté. Feitos os votos simples, voltou para Itambacuri, onde cursou filosofia e teologia.

Após os cursos, foi ordenado presbítero, em Teófilo Otoni, por Dom Hugo Malzone, em 1° de julho de 1957. Meses depois já estava na Paróquia de Santo Antônio, em Mantena, como vigário paroquial. Em meio a grandes desafios, passou por grande aprendizado missionário. Atendia a três municípios, com 62 grandes comunidades, visitadas, a cavalo na sua maior parte. Viagens de 10 a 25 dias ininterruptas. Foi, então, transferido para Conceição do Serro, MG. Paróquia essa de grandes atividades, onde foi Pároco. Dali foi transferido para São Gonçalo em Niterói, onde, após vários anos, foi para a Paróquia São Sebastião, na Tijuca.

Já maduro no exercício do ministério, permitiu-se viver uma nova experiência, em São Paulo, acolhido por Dom Agnello Rossi e Dom Paulo Evaristo Arns. Lá foi Pároco por dez anos, onde conheceu Dom Amaury Castanho, feito Bispo de Valença. Esse o convidou para trabalhar em nossa Diocese. Começou como pároco de minha terra natal, Rio das Flores, quando tive o privilégio de ter a minha primeira missa, por ele preparada. Veio depois para a nossa querida Paróquia de São José Operário. Adiante, foi transferido para Valença, trabalhando 13 anos na Paróquia de São Sebastião do Monte D’ouro. Nesta edificou o maior Centro Pastoral de nossa diocese.

Com a transferência de Dom Amaury para a Diocese de Jundiaí, foi convidado por ele para trabalhar naquela diocese, servindo, como Pároco na Paróquia de Santa Teresinha, Várzea Paulista. Transferido para Itu, foi reitor do Santuário Nacional do Sagrado Coração, vice-reitor do Propedêutico e professor de latim. Experiência muito rica, como se vê. Desejando voltar à vida paroquial, foi transferido para Jundiaí, de onde voltou para a nossa Diocese, após quatro anos de serviço à Igreja.

Em Três Rios, pela segunda vez, já faz 12 anos, na ativíssima paróquia de Santa Luzia. Ali construiu o Centro Pastoral, fez calçamento do pátio e a reformas da frente da Paróquia e da Capela do Santíssimo Sacramento, criou o Jardim de Nossa Senhora Rainha da Paz e implantou um Consultório Odontológico.  Na dimensão pastoral promoveu a restauração dos Conselhos Comunitários, dinamizou o  ECC – Encontro de Casais com Cristo -, organizou os Encontros de Noivos, multiplicou as Círculos Bíblicos e as Comunidades pelos vários bairros, formou as Equipes de Liturgia e dinamizou a catequese. Em síntese, consolidou a mais nova paróquia em verdadeira Comunidade de Comunidades.

“As experiências acontecidas – exprimiu o nosso venerando pastor - só me enriqueceram e motivaram a viver meu sacerdócio, em favor de todos que, aqui e alhures, o Senhor o confiou, nesta e em todas as dioceses”. Essa consciência de zeloso sacerdote veio encharcada da simplicidade franciscana, confirmada recentemente quando recusou ser distinguido com o honorífico título de “Monsenhor” concedido pelo Papa aos beneméritos sacerdotes da Igreja. Unimo-nos agradecidos à sua oração: “Rendo graças a Deus pela sua infinita bondade e por ter-se dignado chamar-me para sua Obra”.

Medoro, irmão menor – padre pecador