
Às vésperas das eleições somos brindados com mais este atualíssimo artigo do venerando e octogenário Pe. Geraldo Ferreira Dias, Vigário Paroquial de Vassouras, que por muitos anos pastoreou nossa querida cidade de Três Rios, com seu fecundo ministério, que providencialmente ultrapassou os limites da Paróquia de Santa Luzia, pelo enriquecimento cultural trirriense. Com prazer, aqui reproduzimos em tempos de acordar a cidadania com os valores cristãos. Feliz e consequente leitura!
Prezado leitor, inicialmente peço que, ao ler este artigo, não diga: isso é mero sonho; ou pior: isso é coisa de visionário. Não se precipite; não faça prejulgamento.
É preciso sonharmos. Quem não sonha, isto é, quem não aspira a coisas mais nobres e mais elevadas, está morto. Quem sonha, é porque está vivo. Por isso, muitos sonhos (de olhos abertos ou fechados), podem tornar-se realidade, e, às vezes, devem sê-lo, por um imperativo de ordem superior. Muitos sonhos já se concretizaram, e a história no-lo confirma, sobejamente.
Eu também sonhei, literalmente. Sonhei com bastante clareza, o seguinte: em dado momento do sonho, eu vi, encantado, uma família extraordinária.
O simpático casal, exemplar, era cheio de planos. Tinha sete filhos, inteligentes e sonhadores. Seus nomes eram inusitados, aparentemente estranhos, mas, nobilitantes e empolgantes. O primeiro chamava-se AMOR, o segundo recebera o nome de RESPEITO, o terceiro, de HONRADEZ, e os demais, de HONESTIDADE, DIGNIDADE, CULTURA E EDUCAÇÃO. Todos, pais e filhos, formavam a família por excelência, criando belo ambiente, como se fosse um cenário, com lindo pano de fundo de grande beleza.
Em dado momento, vi professores, muitos professores, orgulhosos com a tarefa de montagem de um grande palco. Mas, o que mais chamava minha atenção, era o grande número de alunos com seus professores, interagindo, na montagem do grande palco. Estavam se preparando para a exibição de uma esperada e emocionante peça teatral.
Havia à esquerda, um magnífico teatro. O auditório estava ansioso, aguardando a abertura das cortinas para o início da peça. As crianças estavam num grande suspense... Bem à esquerda, pude ver uma grande e bem organizada biblioteca pública, com rica coleção de livros, composta pelas mais variadas áreas do conhecimento humano. Teatro, palco, professores, alunos, biblioteca, tudo formava lindo cenário, apontando para um futuro próximo, risonho e promissor.
Estávamos todos felizes e orgulhosos diante do que víamos e assistíamos. Aliás, tínhamos, então, consciência de que todos éramos agentes responsáveis pelo que estava acontecendo.
Sabíamos, entretanto, que os autores de tudo que víamos e assistíamos, era aquele extraordinário casal que, com seus privilegiados filhos, tornara possível aquele lindo cenário. Passavam, assim, legado de inestimável valor para seus descendentes e gerações vindouras.
Houve, um momento de grande empolgação, quando todos, em coro, alto e bom som, disseram: “Esta família, realmente merece perene homenagem. Por isso, ela é digna de uma estátua, pois é grande sua obra! Ela orgulha seus filhos e futuras gerações”.
− Prezado leitor, você, a esta altura, já tirou suas conclusões a respeito desse meu sonho.
Vivemos momentos muito tristes de nossa história. O horizonte escuro nos impede de vislumbrar melhores dias.
Tudo que vimos de extraordinário no sonho narrado é o oposto da realidade atual inglória de nosso País. Instituições fundamentais necessárias para construção de nossa identidade, de nossa segurança e soberania, estão ameaçadas. Aquele casal extraordinário que aparece no sonho, apresenta-se como referência para quantos ocupam cargos públicos, no comando dos destinos de nossa Pátria, Família maior, tão maltratada e mal amada.
O futuro desejado, sonhado pelas pessoas de bem, (na sua maioria), só será realidade, quando pais e filhos: AMOR, HONRADEZ, RESPEITO, DIGNIDADE, HONESTIDADE, CULTURA E EDUCAÇÃO, forem exigências e prioridades número um, para a grandeza deste extraordinário País, de nossa Pátria, FAMÍLIA MAIOR de todos nós.
Padre Geraldo Ferreira Dias
Padre Medoro de Oliveira