
O Papa Francisco exprimiu com enorme beleza e sabedoria qual deve ser a identidade do bispo, como de todos os que têm o Ministério Ordenado para o amor-serviço na Igreja: “Pastor com cheiro de ovelhas”! Penso que o conjunto da Comunidade Católica da Diocese de Valença – a Diocese mais católica do Estado do Rio de Janeiro -, presente nos municípios de Valença, Rio das Flores, Três Rios, Paraiba do Sul, Levi Gasparian, Sapucaia, Vassouras, Miguel Pereira e Paty do Alferes, é unânime em dizer nesses dias de luto que esta foi a identidade do nosso sexto Bispo Diocesano, Dom Elias James Manning, OFMConv; há 29 anos entre nós.
Dom Elias, natural de Troy, Nova Iorque nos Estados Unidos da América, nasceu no dia 14 de abril de 1938. Aos vinte anos de idade recebeu o hábito da Ordem dos Frades Menores Conventuais e o nome de Frei Elias, realizando em 08 de dezembro de 1959 a sua profissão. Durante o período dos estudos acadêmicos foi enviado para concluir o curso de Teologia no Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio de Janeiro. Sua Ordenação Presbiteral foi em 30 de outubro de 1965 na sua terra natal. Como padre trabalhou em Pontalina, GO, e em Araruama e no Rio de Janeiro. Foi também Superior Provincial da Ordem dos Frades Menores Conventuais. Em março de 1990 foi nomeado nosso bispo pelo Papa São João Paulo II, recebendo a ordenação episcopal em Valença, no dia 13 de maio do mesmo ano, ficando no governo pastoral da diocese até o ano de 2014.
Destacamos do seu fecundo ministério diocesano, as criações da CDP-Coordenação Diocesana de Pastoral, do CDL-Conselho Diocesano de Leigos, das Paróquias de Levi Gasparian e Governador Portela e de várias pastorais como a CDV-Comissão de Defesa da Vida (contra o aborto), Pastoral Social, Pastoral Bíblica, Pastoral Afro-brasileira, entre outras. Valorização laicato, instituindo os Ministérios do Batismo e das Testemunhas Qualificadas do Matrimônio. Na área administrativa salvou o HCNSC-Hospital e Clínicas N. S. da Conceição, de Três Rios, concluiu as obras do Edifício João Paulo I e do Centro Pastoral Maria Clara Pentagna, em Valença. Ordenou 7 novos sacerdotes, além de acolher novas congregações religiosas. Além do pastoreio em nossa diocese, Dom Elias foi muito presente e atuante no Regional Leste 1 da CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sendo responsável pela Catequese e pelas CEBs-Comunidades Eclesiais de Base. Atuou ainda como membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB entre os anos de 2004-2007.
E Dom Elias testemunhava esta fecundidade pastoral num estilo de vida sóbrio, vivendo com muita simplicidade, despido das indumentárias eclesiásticas, vestido franciscanamente como o povo; antecipando o Papa Francisco em sua orientação:: “Os Bispos devem ser Pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham “psicologia de príncipes” (...) Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra”. “Homens capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas, sobretudo para fazer crescer a esperança (o Bispo tem que cuidar da esperança do seu povo): que haja sol e luz nos corações. Homens capazes de sustentar com amor e paciência os passos de Deus em seu povo. E o lugar do Bispo para estar com o seu povo é triplo: ou à frente para indicar o caminho, ou no meio para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas, ou então atrás para evitar que alguém se atrase, mas também, e fundamentalmente, porque o próprio rebanho tem o seu faro para encontrar novos caminhos”.
Nossa imortal gratidão, Dom Elias: "O povo de Deus sabe quando o pastor é pastor, quando o pastor é próximo"!
Medoro, irmão menor-padre pecador