
Sob o signo da renovação da Igreja com o Concílio Vaticano II, 1965, nasceu a Paróquia de São José Operário, no Bairro do Triângulo, de nossa querida Cidade Industrial. O bispo de então, era Dom José Costa Campos, bispo conciliar que assumia a causa operária como campo prioritário da evangelização. A Igreja de São José Agonizante tornou-se então a Matriz da Paróquia de São José Operário nos bairros operários do Triângulo, Vila Isabel, Cariri, Jaqueira, Palmital, Morada do Sol, Moura Brasil, Pilões, Ponto Azul, Ponte das Garças e no então distrito de Levi Gasparian. E a maturidade construída, sobretudo, a partir dos pequenos grupos de reflexão bíblica deu origem às paróquias de Santa Luzia no bairro de Vila Isabel e de Nossa Senhora Aparecida em Levi Gasparian, emancipado como município.
Para celebrar o jubileu em 2015 foi instituída na Solenidade da Santíssima Trindade, no ano passado, a 14ª assembléia Paroquial de Pastoral. Nessa semana as comunidades nos bairros do Triângulo, Moura Brasil, Pilões, Ponto Azul e Ponte das Garças celebram a última sessão com as Assembléias Eletivas Comunitárias e Paroquial de Pastoral. Coincidentemente, ontem, dia 27, celebramos o aniversário da partida de Dom Helder Câmara (1999) e de Dom Luciano Mendes de Almeida (2006), grandes pastores do povo que implantaram e incentivaram as CEBs - Comunidades Eclesiais de Base -, o jeito novo de ser Igreja que marcou a nossa história e que retomamos em nossa referida assembléia. Uma Igreja pobre para os pobres!
Não por acaso a cidade viu nascer de nosso meio, de nossas CEBs, a Pastoral Operária e a Pastoral do Negro, como serviços eclesiais à causa da justiça social, expressões concretas da opção pelos pobres. No presente dessa rica história, retomamos o jeito de ser das CEBs como possibilidade de novo compromisso dos cristãos com a construção de uma cidade operária para todos. O progresso alvissareiro engendrado pelo competente e abnegado gestor municipal para ser promissor de um desenvolvimento global para todos, implica numa cidadania ativa, na valorização da sociedade civil organizada, na cooperação do poder público e das instituições implicáveis. Daí a urgência de uma evangelização que viabilize o encontro pessoal com Jesus Cristo, a vivência comunitária da fé e a solidariedade com os excluídos e descartáveis.
Nessa perspectiva o conjunto de nossas comunidades discutem, em assembléias, caminhos para uma evangelização inculturada no mundo operário e dos pobres, que inclui fazer novos discípulos mediante uma catequese adulta para jovens e adultos, a formação de interventores sociais e o cuidado com a vida ameaçada ou ferida. Outra expressão de maturidade eclesial vivenciada nesse processo de assembléia é a realização das eleições/escolhas para as coordenações das comunidades e da paróquia. Vê-se liberdade, disponibilidade e humildade nos escolhidos e naqueles que não são eleitos. Não há busca de poder nem briga por cargos, mas comunhão para o serviço. Assim, São José Operário, padroeiro paroquial é reverenciado no seu carisma de protetor e provedor dos desvalidos.
E essa consciência cristã comunitária vem legitimada oportuna e uma vez mais com os gestos concretos de novos serviços sociais. A Pastoral da Juventude se engaja no Movimento Fé e Política como gesto concreto da JMJ – Jornada Mundial da Juventude -. O Movimento Fé e Política cria, por sua vez a Comissão de Justiça e Paz. Já as Oficinas de São José com seus quinze cursos profissionalizantes fazem parceria com a Secretaria Municipal de Educação por uma estrutura pedagógica que capacite para uma geração de renda familiar alternativa e re-encante a juventude com a vida. A Pastoral da Sobriedade realiza o seu primeiro curso de capacitação de agentes para o resgate dos dependentes químicos. A Pastoral Familiar cria a Comissão de Defesa da Vida (contra o aborto) e a Pastoral Pre-matrimonial com uma nova metodologia que introduza os novos cônjuges numa espiritualidade conjugal para o nosso tempo. E o Clube de Mães e a Pastoral da Criança se unem para o resgate das adolescentes grávidas e mães.
Venha celebrar no próximo domingo, 1º de setembro os 50 anos de história de discípulos missionários em Comunidades Eclesiais de Base a serviço da vida e da esperança! Parabéns especiais aos fiéis leigos e leigas que conservaram a chama comunitária das CEBs que une fé e vida, reza, convive em fraternidade adulta e serve a vida! A nossa única celebração será às 16h na Igreja do Triângulo: a Missa da Unidade e da Profecia!
Medoro de Oliveira