
Irmãs e irmãos de fé e homens e mulheres de boa vontade. Em seus esforços para recuperar a mística do Concílio Vaticano II em sua clara opção preferencial pelos pobres e como consequência do Simpósio intitulado Emergências dos Excluídos, que promoveu em dezembro do ano passado, o Papa Francisco, recebeu nos últimos dias 27, 28 e 29 deste mês de outubro, lideranças de movimentos populares de todo o mundo.
Estiveram no Simpósio diversos lideres populares. Um dos que conversaram com o Papa foi o presidente reeleito da Bolívia Evo Morales. No encontro com Evo, o Papa Francisco disse que alguns vão chamá-lo de "comunista" por ter promovido um evento que reúne representantes dos excluídos do mundo (como Suha Adar, uma palestina da Cisjordânia). Disse também, que "este nosso encontro responde a uma necessidade, pois hoje vemos com tristeza que direitos que deveriam estar ao alcance de todos como terra, casa e trabalho, estão cada vez mais distantes de boa parte da população mundial. Mas como estou falando disso sei que muitos dirão que o Papa é comunista. Quem diz isso é por que não entende que o amor aos pobres é central no Evangelho".
Um dos representantes do Brasil foi João Pedro Stédile (que também esteve presente no encontro do ano passado) representando o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Via Campesina, que congrega movimentos de camponeses de todo o continente. Além dele participaram do encontro em Roma dirigentes da Central de Movimentos Populares, Levante Popular da Juventude, Coordenação Nacional de Entidades Negras, Central Única dos Trabalhadores, Movimento de Mulheres do Campo e um representante das comunidades indígenas.
A carta convite para o evento foi assinada por Stédile e pelo argentino Juan Grabois, dirigente dos Movimentos dos Trabalhadores Excluídos e da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular daquele país.
O evento foi denominado Encontro Mundial de Movimentos Populares, e contou com a presença e participação de trinta bispos, que se destacam pelo trabalho social e ligação com os movimentos populares, de diversas regiões do mundo. Segundo se apurou a articulação do evento se deve ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Conselho Pontifício de Justiça e Paz, presidido pelo Cardeal Peter Turkson, de Gana, junto a diversas organizações populares.
Segundo a carta-convite o objetivo do simpósio foi a promoção de uma análise do pensamento social do Papa Francisco; elaborar uma síntese da visão dos Movimentos Populares sobre as causas da crescente desigualdade social e do aumento da exclusão no mundo; elaborar propostas com alternativas populares para “enfrentar os problemas que o capitalismo financeiro e as empresas multinacionais (transnacionais) impõe ao pobres com a perspectiva de construir uma sociedade global com justiça social, a partir da realidade dos trabalhadores excluídos”.
Resumidamente o objetivo do Encontro foi o de “discutir a relação dos movimentos populares com a igreja e como avançar nesse sentido”. Entre os painéis e oficinas pode-se destacar: “Exclusão social e desigualdade”, “Desigualdade social a luz do documento Alegria do Evangelho”, “Doutrina social da Igreja”, “Meio ambiente e mudanças climáticas”, “Movimentos pela paz” e “Articulação da Igreja com os Movimentos Populares”.
Segundo o frade dominicano Frei Betto, em matéria publicada pelo diário La Republica, de Montevidéu, foi a primeira vez na historia da Igreja que um Papa convocou a líderes de movimentos sociais para um encontro de três dias. Ele afirmou ainda que o ineditismo dessa iniciativa é que anteriormente os Papas, para debater a conjuntura internacional, convocavam banqueiros e empresários. O Papa Francisco, em sua opção pelos pobres, quis escutar seus representantes numa mudança profunda dos interlocutores da Igreja Católica.
Essa posição é coerente com o texto do documento Alegria do Evangelho (novembro de 2013), no qual o Papa Francisco afirmou que o capitalismo é intrinsecamente injusto: “Enquanto, não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os povos será impossível erradicar a violência. Isto acontece não só porque a desigualdade social provoca a reação violenta dos que são excluídos do sistema, mas também porque o sistema social e econômico é injusto desde suas raízes”. Afirmou Francisco.
Medoro, irmão menor – padre pecador