Na manhã da última quinta-feira, 20 de novembro, enquanto celebrávamos o Dia da Consciência Negra, o Papa Francisco visitou a sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), por ocasião da segunda Conferência Internacional sobre Nutrição, que teve lugar em Roma de 19 a 21 de novembro. Registrando esse evento e a palavra do Romano Pontífice, queremos saudar com reconhecida gratidão o trabalho das Conferência Vicentinas que há 60 anos provê com a cesta básica a indigência de muitos irmãos. E, mais recentemente o Rancho da Solidariedade Santa Nhá Chica pela segurança alimentar das pessoas que convivem com o vírus HIV e/ou situação de rua.

O Papa Francisco acredita que a total unidade de propósitos e de obras, mas, sobretudo, o espírito de irmandade, podem ser decisivos para soluções desejadas. Para ele, os destinos de cada nação estão mais do que nunca enlaçados entre si, "como os membros de uma mesma família, que dependem uns dos outros”. No entanto, vê com preocupação que a população mundial vive numa época em que as relações entre as nações estão fortemente danificadas pela suspeita recíproca, "que, às vezes, se converte em formas de agressão bélica e econômica, sufoca a amizade entre irmãos e rechaça ou descarta o que já está excluído. Isso sabe bem quem carece do pão cotidiano e de um trabalho decente”.

"Este é o quadro do mundo, no qual é preciso reconhecer os limites de propostas baseadas na soberania de cada um dos Estados, entendida como absoluta, e nos interesses nacionais, condicionados freqüentemente por reduzidos grupos de poder. Isso explica bem a leitura da agenda de trabalho de vocês para elaborar novas normas e maiores compromissos para nutrir o mundo”, afirmou Francisco. A partir daí, ele sublinhou que espera que, na formulação de tais compromissos, os Estados se inspirem na convicção de que o direito à alimentação só será garantido se as pessoas se preocuparem com o sujeito real, ou seja, a pessoa que sofre os efeitos da fome e da desnutrição.

"Hoje em dia, se fala muito de direitos, esquecendo, com freqüência, os deveres; talvez temos nos preocupado demasiado pouco com os que passam fome. Dói constatar ademais que a luta contra a fome e a desnutrição se vê obstaculizada pela ‘prioridade do mercado’ e pela ‘proeminência da ganância’, que reduzem os alimentos a uma mercadoria qualquer, sujeita a especulação, inclusive financeira. E, enquanto se fala de novos direitos, o faminto está aí, na esquina da rua, e pede carta de cidadania, ser considerado em sua condição, receber uma alimentação de base saudável. Nos pede dignidade, não esmola”.

Enfim, o Papa Francisco propôs ademais que o interesse pela produção, pela disponibilidade de alimentos e pelo acesso a eles, pela mudança climática, pelo comércio agrícola, devem, certamente, inspirar as regras e as medidas técnicas, mas a primeira preocupação deve ser a pessoa mesma, aqueles que carecem do alimento diário e deixaram de pensar na vida, nas relações familiares e sociais, e lutam apenas pela sobrevivência. E isso, em plena consonância com o Evangelho da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo e Senhor da História, que celebramos no último domingo. Ali, em Matheus 25, a salvação de cada um se define pelo encontro com Jesus, que se identifica com aqueles que passam fome e esperam por nossa solidariedade.

Medoro, irmão menor – padre pecador.