
O Movimento Fé e Política nessa região, instalou ontem mais um seminário. Nesses três dias, até a noite de hoje, são três os assuntos principais: “O cristão e a política”, na primeira noite, com D. Nelson Francelino Ferreira; “A reforma política”, na noite de ontem, com o sociólogo Névio Fiorin; e hoje a questão da transposição do Rio Paraíba do Sul, com a presidente da frente parlamentar para essa questão, a Deputada Inês Pandeló. Ao escrever essa coluna compartilho o êxito da primeira noite. Ultrapassava o número de quatrocentos os cidadãos que vieram para esse fórum inaugural. Muita alegria e esperança, muita participação cidadã e lúcida no conjunto dos participantes.
A noite foi conduzida com sabedoria pelo jovem militante Darlei Alves. Um lanche comunitário recepcionou a todos. O coordenador regional Eduardo Pires com brilhante comunicação contextualizou o seminário no conjunto das iniciativas do MF&P. Os Jovens Leandro Galdino e Bruno Barros, acompanhados pela Banda En-cantando a Vida fizeram um agradabilíssimo e piedoso momento orante. O debate foi igualmente enriquecedor para todos. A assessoria política ficou por conta de Gilberto Simplício e a assessoria tecnica com Gustavo Tomás. Transcrevemos na íntegra a síntese apresentada por Dom Nélson.
Desde o nascimento da igreja cristã, estas questões têm sido debatidas vez após vez: Qual é o papel do cristão na política? Pode um membro ou a própria igreja envolver-se em política? Como deviam se relacionar com o governo e com as autoridades políticas?
Alguns cristãos acham que a igreja não desempenha nenhum papel político, e o cristão individual, no máximo, uma parte minúscula. Esta opinião funda-se sobre o conceito de que o reino de Cristo não é deste mundo. Outros insistem que tanto indivíduos como a igreja têm responsabilidades sociopolíticas incontestáveis para melhorar as condições de vida. Alguns cristãos vão mais longe e pretendem que a tarefa principal do cristianismo é trabalhar para criar uma ordem política cristã que resulte no estabelecimento do reino de Deus na Terra. Entre uma e outra, há toda uma gama de opiniões.
O exemplo de Cristo. Jesus raramente mencionou o tipo de sociedade política à qual seus discípulos deviam aspirar. Ele não pretendeu ser um reformador sociopolítico. Ele não enunciou nenhuma plataforma política. As tentações no deserto tinham uma dimensão claramente política e Ele as resistiu.
Portanto, os cristãos, seguindo o exemplo de cristãos através dos séculos, precisam reconhecer sua responsabilidade social. Não só o evangelho de salvação individual deve ser assumido, mas para que possamos evangelizar inspirados em Jo 10,10, mas também deve preocupar-se com alcoólatras e outros tipos de drogas, escravos, mulheres oprimidas e as necessidades educacionais de crianças e jovens. Em desmontrar toda a expressão do mal, tipo injustiças, exploração, corrupção.
A base bíblica de responsabilidade sociopolítica. A responsabilidade sociopolítica cristã baseia-se sobre dois fundamentos bíblicos. Primeiro, a doutrina da Criação. Deus criou ex nihilo o Universo e nos designou como os administradores deste mundo. Essa administração implica tanto em responsabilidade como prestação de contas pelo domínio sobre o qual tem jurisdição.
Segundo, a teologia do homem. Os seres humanos são criados à imagem de Deus. Os parâmetros da responsabilidade humana de servir jazem dentro deste conceito bíblico da natureza humana. A visão cristã é que homens e mulheres não são uma espuma sobre o mar da vida, mas pessoas com um papel responsável a desempenhar e com um futuro promissor. O potencial humano confere propósito, direção e otimismo aos cristãos a serviço dos outros num contexto comunitário.
Assim, o cristianismo não é uma religião de individualismo isolado ou de introversão; é uma religião de comunidade. Os dons e as virtudes cristãs têm implicações sociais. Deus nos concede os dons não numa perspectiva individual, mas sempre relacionados ao serviço do bem comum, do bem de todos. Seguir a Jesus Cristo significa assumir a sua missão de servir todos os filhos de Deus, e esta seqüela Christi gera responsabilidade pelo bem-estar de outros. O Reino de Deus é uma esfera, um comprometimento, uma atitude e um modo de vida e pensar que permeia a toda nossa existência e que dá um sentido especial à cidadania nacional. É a soberania de Deus invadindo o viver humano.
Nada fazer é ação política. A organização política da sociedade é a provisão divina para a humanidade caída. Deus não pede que as pessoas corretas se distanciem do processo político de governo e deixem o controle sociopolítico e econômico nas mãos dos “malfeitores corruptos insensatos, que ameaçam a dignidade sagrada da vida criada e redimida por Nosso Senhor. Os cristãos devem ser o sal e a luz do mundo social, e portanto, não podem simplesmente se afastar do processo político. “Nada fazer” é uma receita certa para o pecado ficar senhor da situação. Dentre os vários deveres cristãos de cidadania política, podemos destacar pelo menos quatro:
Primeiro, o dever de orar a favor dos que exercem autoridade governamental.
Segundo, o dever de votar consciente e de fazer petições às autoridades.
Terceiro, o dever de educar-se e informar-se.
Quarto, o dever de candidatar-se e ocupar cargos públicos. Há também designação para cargos governamentais que não envolvem campanha eleitoral. Não há nada errado na aspiração de “sentar em conselhos deliberativos e legislativos e ajudar votar leis para a nação”.
Precisamos ter muita atenção para com a política partidária, de tal modo que a Igreja desaconselha e reprova a filiação por parte de seus clérigos. A razão que ela dá é bem clara: política partidária pode criar divisões. Um pastor poderia facilmente dividir seu rebanho e enfraquecer grandemente sua habilidade de servir como pastor de todo o rebanho, tomando partido.
Sempre norteado pelo bem comum. Para cumprir a sua missão, a igreja vê na política um excelente instrumento. Instrumento esse, que nunca terá a ultima palavra, reconhece sua importância, mas sempre a relaciona aos valores e métodos revelados por Jesus Cristo. Os valores Cristãos são meios seguros e inegociáveis para a ação evangelizadoras que devem atingir, iluminar e transformar o cenário da política . Papa Francisco: em varias ocasiões tem ele se expressado sobre o assunto: Os cristãos não podem «fazer de Pilatos, lavar as mãos»: «Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum
Medoro, irmão menor – padre pecador..