
Outubro é o Mês das Missões, cujo objetivo principal é sensibilizar, despertar vocações missionárias, especialmente nos corações das crianças e jovens. “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”, é o tema escolhido em sintonia com os ensinamentos do papa Francisco quando afirma: “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontraram com Jesus” (EG 1). Essa alegria precisa ser anunciada pela Igreja que caminha unida a todo mundo, a todas as pessoas, em todos os tempos, o que implica a promoção da cultura da vida. Por isso, o lema: “Juntos na missão permanente”.
A primeira semana de outubro é sempre dedicada à defesa e promoção da vida inocente e indefesa, conhecida como Semana da Vida em preparação ao Dia do Nascituro, 8 de outubro. Em meio às celebrações dos 300 anos do encontro da Imagem da Mãe Aparecida nas águas do Paraíba do Sul o tema escolhido: "Bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1,42). Trata-se da frase dita por Isabel a Maria Santíssima que serve para nos orientar e dar muita importância àquele fruto que está no ventre das mães, que é o nascituro, que é a esperança, a vida que nasce, o dom de Deus. Isso implica em fazermos frente àquilo que é contra a vida, nocivo à vida.
A vida do nascituro, delicada e frágil como é, precisa de muita atenção e cuidados. Assim, esses dias existem para que a vida dos bebês desejados ou não por suas famílias - e também a vida da mãe - seja cuidada e preservada. São igualmente dias de luta contra a prática do aborto em qualquer instância. Por isso a Igreja promove campanhas pela preservação da saúde do bebê que é desejado ou não pela família e cobra a melhoria da saúde pública, especialmente do acompanhamento pré-natal. Mas essa luta pela vida não acaba quando a criança nasce. É muito importante ter em mente que, tão importante quanto lutar pela vida do bebê na barriga da mãe que o deseja, é lutar para que as crianças, após nascidas, tenham seus direitos garantidos.
Nessa perspectiva de defesa, cuidado e proteção da vida da concepção até o seu ocaso natural, o cristão e toda pessoa de boa vontade têm que estar atentos ao período em que vivemos momentos de perdas de direitos sociais. Constatamos que, cada vez mais, a miséria e a pobreza tomam conta da nossa realidade, como do estado e país. Nesse contexto vemos com pesar e protestamos contra o surgimento em nossa Câmara Municipal do “Projeto Escola sem Partido”, que quer mexer com aquilo que é mais sublime na condição humana: a liberdade. Usou-se um discurso de que a escola hoje é um espaço de doutrinação esquerdista. Fala mentirosa, pois quem conhece a escola sabe que isso não é verdade, muito pelo contrário.
Um Projeto que nasce em 2004 e se fortalece quando é apresentado como um Projeto de Lei em 2014, que é o modelo copiado por alguns parlamentares de Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas para serem votados em diversos lugares, criando assim, o que podemos chamar de uma ONDA. É necessário perceber que esse projeto tem origem nos mesmos grupos que veem disseminando um discurso de ódio e da intolerância contra as diversas minorias de classe, étnicas, sexuais e religiosas. Não dá para separar o discurso do agente social. Usam o discurso de uma falsa liberdade, colocando uma mordaça na boca dos professores, ou seja, fazendo deles apenas reprodutores e alunos como apenas um receptáculo de informações. Decretando assim, a “idiotização” dos professores e dos alunos.
O preço social a pagar com a aprovação do projeto "Escola sem Partido" seria alto demais, já que o "fim da política" na escola impediria o surgimento de novos cidadãos cuja formação ética contribuiria, no futuro, para a substituição das atuais castas políticas que tanta dor e vergonha têm produzido. Impedir a formação de cidadãos ética e moralmente plenos só beneficia aqueles que, hoje, são responsáveis por boa parte do sofrimento a que as comunidades menos aquinhoadas estão submetidas.
Um projeto que remonta a práticas exercidas em regimes autoritários e de exceção, em que se coloca na escola e no professor a pressão permanente da suspeição, fazendo com que alunos e pais passem a ser vistos como possíveis delatores, sem falar no estreitamento do conhecimento a ser construído dentro do espaço escolar. E isso tudo ocorre em um momento em que precisamos criar cada vez mais a pluralidade de conhecimento e de relações solidárias e fraternas, a partir do respeito ao diferente e que os alunos avancem no conhecimento de si, do mundo e dos outros, ou seja, a escola deve ocupar um lugar capaz de construir na diversidade de ideias e no diálogo um lugar melhor para todos e não um lugar da suspeita, censura ou da judicialização. A Escola por uma Cultura da vida! Eis a missão da hora!
Medoro, irmão menor-padre pecador.