
"A política é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão a serviço dos outros". Papa Paulo VI
Neste espaço em que temos falado sobre a fé cristã e a militância política não poderia deixar de ser abordada a questão do voto nas eleições deste dia 7 de outubro. Sobre a participação dos cristãos católicos nesse evento tão fundamental, buscamos inspiração em nota da CNBB sobre as eleições municipais de 2012, amplamente divulgada em nossas comunidades e paróquias.
Lá estão uma série de “lembretes” extremamente úteis para os cristãos católicos neste momento tão importante, que coincide com o 1º Domingo do Mês das Missões. A CNBB nos lembra que “Fé e Política: é uma missão possível”, que “o cristão deve participar da vida política do município e do país” e que fazer isso “é viver o mandamento da caridade como real serviço aos irmãos”.
Também, cita São Paulo que exorta que não devemos nos amoldar às estruturas deste mundo, mas nos transformar pela renovação de nossas mentes, para poder distinguir qual é a vontade de Deus: “o que é bom, o que é agradável a Ele, o que é perfeito” (Rm,12,2).
Nós devemos ainda nos lembrar nesse momento, que cabe ao futuro vereador em que vamos votar, a fiscalização do Prefeito, de seu Vice e dos Secretários. Que além disso, ele deve propor leis, debatê-las e aprová-las; votar projetos de lei enviados pelo prefeito e organizar os serviços da Câmara. Também é papel do vereador, embora não estabelecido regimentalmente, apoiar as manifestações e reivindicações da sociedade e auxiliar a organização popular.
Não é papel de vereador ficar bancando churrasco, distribuir cestas-básicas, asfaltar ruas, distribuir jogos de camisa, bolas, nem bancar festas. Sobre isso nossa Igreja é firme: “Não venda, troque ou negocie seu voto!”, pois como dizia Mahatma Ghandi “temos que vigiar os políticos que nada fazem sem dinheiro, e os que fazem tudo por dinheiro”. Sobre isso podemos acrescentar que são piores ainda os que se enquadram nos dois casos.
A CNBB, cuja nota serviu também de base para uma cartilha editada pela Diocese de Barra do Piraí - Volta Redonda, orienta os fiéis a procurar saber o que andou fazendo, ou deixando de fazer, o candidato que pede o seu voto, pois “saber isso é tão importante quanto saber o número dele”. Outro lembrete importante é que o voto em branco ou nulo pode beneficiar candidatos em que não votaríamos de jeito nenhum.
Uma outra dica, para ser usada na reflexão com nossos parentes, amigos, vizinhos e irmãos de comunidade, é procurar lembrar em quem se votou nas eleições passadas para prefeito e vereador. Se foi eleito, se cumpriu o programa, se não foi eleito, o que fez nos últimos quatro anos? Devemos conversar sobre os critérios que usaremos para escolher os candidatos este ano.
Ainda sobre a reflexão que deve ser feita antes da escolha do candidato em que vamos votar e até pedir o voto de amigos e parentes, é importante procurar saber se ele tem “participação de cidadania ativa, em ações comprometidas com a qualidade de vida e organização do povo; se os seus colaboradores (também chamados de cabos-eleitorais) são pessoas merecedoras de confiança; se o candidato troca de partido; se ele é honesto, ético e age com transparência e se conhece as responsabilidades e funções do cargo a que está se candidatando.
Outras questões para serem analisadas antes da escolha são se o candidato tem clareza das propostas do partido ao qual está filiado e se esse partido é comprometido com as melhorias na vida da população. Nem precisava dizer que candidatos que baseiam suas campanhas em jogos de camisa, churrascos, cestas-básicas, auxílio-funerário, etc. não deviam merecer os votos de cristãos conscientes.
Por fim, como nos lembra o Bispo de Barra do Piraí - Volta Redonda, Dom Francisco Biasin, é fundamental que depois das eleições as pessoas continuem exercendo a fiscalização e o controle sobre os eleitos, cobrando a execução do programa, pois “não devemos vender o nosso voto por nenhum motivo ou pressão: trata-se da nossa dignidade e liberdade. Voto não tem preço, tem conseqüências!”
Medoro de Oliveira