Quero trabalhar em paz / Não é muito o que lhe peço.
 Eu quero um trabalho honesto / Em vez de escravidão. (Renato Russo)
Medoro, irmão menor-padre pecador
A Paróquia de São José Operário celebra desde o dia 02 de abril o seu padroeiro com Missas Missionárias em todas as áreas do Bairro do Triângulo e nos bairros Ponte das Garças, Pilões, Ponto Azul e Moura Brasil. Essa iniciativa cumpre dupla finalidade de fortalecer “Uma Igreja em cada em cada rua” com os Círculos Bíblicos e despertar as várias categorias de trabalhadores e trabalhadoras para a retomada da Pastoral Operária. Esta, a nível nacional propõe como tema desse ano a questão fundamental: “Qual é o valor do seu trabalho”?
Queremos, além de rezar agradecendo e fazendo suplicas à intercessão de nosso padroeiro, o Operário São José, dialogar sobre a realidade do trabalho em nossa sociedade. A crise econômica e política atual são igual a tantas outras em que a classe trabalhadora já viveu durante séculos. Mas, nos lembra o Papa Francisco: “... a economia não pode mais recorrer a remédios que são um novo veneno, como quando se pretende aumentar a rentabilidade reduzindo o mercado de trabalho e criando assim novos excluídos”. (Evangelli Gaudium, nº 204).  Que a luta e a resistência, alimentada pela fé em Jesus de Nazaré, nos fortaleça pois nessa caminhada rumo ao Reino que se constrói no caminho.
Qual o valor do seu trabalho? Essa é a pergunta que buscamos dialogar com cada trabalhador/a. Diante das ameaças que estão expostos os trabalhadores, da concentração de riquezas nas mãos de poucos, da precarização do trabalho a cada dia, resta nos perguntar sobre o valor econômico e moral do trabalho. Isso nos faz perguntar: para onde estão indo os nossos direitos? Vemos o desmonte dos direitos trabalhistas entre outros no Congresso Nacional por políticos que visam a exploração do/a trabalhador/a em detrimento do capital financeiro.
Trabalhadores/as o futuro do trabalho a nós pertence! Por isso, há necessidade de defender o trabalho e a dignidade do/a trabalhador/a. como bem menciona o Papa Francisco: “Queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença”.
Frente a isso, para além de nossa festa, urge a retomada da Pastoral Operária, ou PO, que em outros tempos foi em nossa cidade e região um admirável e consequente trabalho de conscientização, mobilização e organização da classe trabalhadora. Reverenciamos nessa festa as figuras dos cristãos sindicalistas e lideres da PO de então: João Batista -1º coordenador -, da Paróquia de Paraíba do Sul; Cavaru, da Paróquia do Triângulo; Moacir da Paróquia São Sebastião e Manoel Companheiro da Paróquia de Sapucaia.
Deixemo-nos interpelar pelas palavras do Papa Francisco: “comecemos por reconhecer que precisamos duma mudança. Reconhecemos nós, de verdade, que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?” (Discurso no Encontro Mundial de Movimentos Populares com o Papa, Bolívia, Julho, 2016). Ora, “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. (Art. 6º, Constituição Federal de 1988).
A PO é uma ferramenta de luta nas mãos dos trabalhadores. Com esta ferramenta, os cristãos se comprometem com a classe trabalhadora e suas organizações. A PO caminha à luz do Evangelho, lutando contra as injustiças que atingem os trabalhadores e trabalhadoras, para que todos eles possam participar dignamente dos frutos de seu trabalho. O evangelho é contra toda ganancia, contra a exploração do trabalhador/a, contra as repressões policiais, e as sujeiras da politicagem. Jesus Cristo veio para libertar seu povo.
“Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego” (Declaração Universal de Direitos Humanos, Art. 23). A PO luta pelo bem de todos os trabalhadores, principalmente pelos que mais sofrem. A PO não faz diferença de raça, de religião, de partido político. Luta pelo idoso/a aposentado/ a, pelos deficientes, pelo homem, pela mulher, pelo pequeno/a trabalhador/a, pelas crianças... A PO não quer outra coisa senão colocar-se a serviço da classe trabalhadora... é a presença dos trabalhadores dentro da Igreja e a presença da Igreja entre os trabalhadores.