
O Dia de Finados é para a Comunidade Católica a grande Celebração da Esperança Cristã! Isso, em primeiro lugar, pelo simples e grandioso fato de que pelo Sacrifício de Jesus realizado uma só vez na cruz, como ofertório perfeito de ação de graças a Deus-Pai, fomos perdoados e redimidos da morte. E esse único Sacrifício redentor, por ter sido realizado por Jesus Cristo, homem e Deus, não se repete, mas se atualiza em cada Eucaristia que celebramos em proveito da salvação de todos. Assim, quando rezamos a Missa pelos mortos participamos da salvação oferecida gratuitamente a todos, mas que age de modo único sobre aquela vida concreta que, por essa graça do Sacrifício do Senhor, vence a morte e se eterniza em Deus.
Só os cristãos podem, por isso mesmo, fazer com São Paulo ironia dessa realidade tão cruel e, num primeiro momento desalentadora: “Oh morte, onde está a tua vitória?Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Cor 15,55). “A graça de Deus nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Cor 15,58). E a Celebração de Finados é o louvor Àquele que ressurgiu dos mortos como primícia dos que morreram (cf 1 Cor 15,23). Todavia, essa Festa da Esperança que não decepciona, do ponto de vista humano, vai aos poucos nos ajudando a passar da dor da saudade para a alegria dos que esperam, sem duvidar. As muitas missas que oferecemos pelos fiéis defuntos alimentam essa esperança-certeza da Ressurreição e Vida Eterna.
Na “Missa de Sétimo Dia” lembrando que Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou (cf. Gn 1), somos resgatado da dor pior ao nos conscientizar que o falecido tão querido não permanece morto, mas descansa em Deus depois de seus “seis dias” de trabalho. Já a “Missa do Trigésimo Dia” recordando o final dos trinta dias de luto guardado pelo povo de Deus na morte de Moisés (cf Dt 38,8), ajuda à pessoa de fé dar lugar à saudade em seu coração. Esta é uma forma de presença da pessoa amada, nas lembranças mais queridas e menos dolorosas. Daí, a “Missa de Seis Meses” como Celebração da Saudade Cristã que afirma que esta é expressão mesma de uma Presença Viva que vai além das boas lembranças. A “Missa de Ano”, como a “Missa de Finados”, visa suscitar e alimentar a Esperança-certeza de quem segue Jesus para ir ao céu.
Mas essa Esperança-certeza na ressurreição e vida eterna, longe de alienar em relação à vida presente, a tudo o que leva a morte, é a razão imperativa para que nos empenhemos no cuidado da nossa própria vida e da vida dos irmãos. Implica na compaixão e na luta pela vida na terra. E por isso rezamos no “Pai nosso”: “assim na terra como no céu”! A vida cristã é pois compromisso permanente com uma vida bonita, feliz e fraterna para todos. O que implica igualmente denunciar tudo que conspira contra a vida, protestar contra tudo o que gera morte prematura, injusta e violenta. Cada celebração de finados deve constituir assim numa profecia por justiça social e fraternidade universal. Recordemos, nessa perspectiva, que Jesus trouxe a salvação eterna, na libertação terrena: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10) .
Por tudo isso vivenciemos o Dia de Finados como cristãos! Que nossas orações sejam proveitosas para nossos irmãos falecidos! Que a Palavra de Deus conforte todo coração abatido pelas humanas perdas! Que nossa comunhão eucarística nos faça experimentar a comunhão mística com todos os que nos precederam na vida eterna! Que a participação no Sacrifício de Jesus nos leve ofertar mais e mais a nossa vida a Deus em favor de todos os que são sacrificados pela atual economia necrofílica, que se alimenta da morte do pobre e do inocente! Que as flores nos cemitérios cantem a esperança de quem pisa sobre a dor! Que as velas nos recordem a semente da vida eterna que recebemos no batismo! E que no absurdo da morte contemplemos o renascimento da plenitude da vida! Por fim, que cada cristão seja um arauto da “Esperança contra toda esperança”!
Medoro de Oliveira