
Irmãs e irmãos de fé e cidadãos e cidadãs de boa vontade.Neste último domingo, 07 de setembro, quando se comemorava o Dia da Independência do Brasil, aconteceu, na maioria dos estados do Brasil, o 20° Grito dos Excluídos. Um ônibus de cristãos-cidadãos foi à Aparecida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, para participar desta manifestação popular organizada em conjunto pelos movimentos sociais brasileiros e as pastorais da Igreja Católica. O objetivo desse ano foi conscientizar a sociedade acerca das violações de direitos que os movimentos reivindicatórios brasileiros vêm sofrendo desde a deflagração das Jornadas de Junho, ocorridas em todo o Brasil em 2013.
O Tema desse ano "Ocupar ruas e praças por liberdades e direitos!” reflete a crescente consciência popular de se ocupar as ruas contra a repressão, a violência do Estado. É também para protestar contra as prisões de lideranças dos movimentos sociais, contra o extermínio das populações pobres da periferia, as arbitrariedades da polícia... A rua sempre foi um espaço de manifestação, nossa democracia foi conseguida nas ruas. E assim, no 7 de setembro, para elem dos desfiles militares, as mobilizações populares buscam a afirmação dos direitos sociais, de independência para todos
Além desse importante Grito dos Excluídos o Movimento Fé e Política mobilizou as paróquias da região para participar de outra grande e importante iniciativa cidadã, o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva, com a coleta de votos que aconteceu no Brasil inteiro durante a Semana da Pátria (1° a 7 de setembro). Queremos que o plebiscito pressione o Congresso Nacional pela convocação de um plebiscito oficial para discutir questões como o financiamento privado de campanhas, a representatividade no Parlamento e os mecanismos de democracia direta.
Durante entrevista coletiva, que marcou o encerramento da reunião do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep), no último dia 29 de agosto, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou mensagem sobre a Reforma Política. Os bispos reconhecem que "uma verdadeira reforma política melhorará a realidade política e possibilitará a realização de várias outras reformas necessárias ao Brasil, como por exemplo, a reforma tributária”. A CNBB recorda que "várias tentativas de reforma política foram feitas no Congresso Nacional e todas foram infrutíferas”. Diante disso, une-se a outras entidades e ao povo brasileiro na mobilização Reforma Política Democrática no país.
Os dados falam por si. No atual sistema político, as empresas financiam mais de 90% dos recursos das campanhas eleitorais, os eleitos são controlados pelos interesses delas e não dos cidadãos que votaram. Como resultado disso, embora sejam apenas 3% da população, os empregadores têm 49% dos representantes na Câmara dos Deputados. Enquanto que os empregados, embora sejam 61% da população, têm apenas 19% dos representantes. Os brancos, sendo 48% da população, têm 92% dos representantes. Os pretos e pardos, sendo 51% da população, têm apenas 8% dos representantes. Os jovens (até 34 anos) são 58% da população, mas apenas 7% no Câmara de Deputados. Os não jovens, de mais do que 34 anos, são 42% da sociedade, mas têm 93% dos deputados. As mulheres são 51% da população, mas têm apenas 8% da representação na Câmara, enquanto os homens, sendo 49% da população, têm 92%.
A média de gasto de campanha dos candidatos a deputado federal eleitos é de 1 milhão de reais. Na eleição atual, entre os 25.329 candidatos, ha 3.658 candidatos jovens, 7.656 mulheres, 2.335 negros, 2.349 empresários, 189 latifundiários e apenas 24 trabalhadores rurais.
Por tudo isso, queremos a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva e soberana para mudar o sistema político, terminando com o financiamento privado e instituindo o financiamento público. Alem de promover o voto por lista, que fortalece os partidos, a cota de candidatos mulheres e jovens.
Medoro, irmão menor – padre pecador