
Com a liturgia deste domingo a Igreja inicia com o “tempo do Advento” um novo “ano litúrgico”. No dia 1º de dezembro, celebramos o Dia Mundial de Luta contra a AIDS-DST. A coincidência das datas é um chamamento aos cristãos e homens e mulheres de boa vontade a alargar suas vidas para nelas caber o mistério do Natal.
Advento, recorda meu colega do Curso de Filosofia, Pe Adroaldo Palaoro, SJ., nos revela a presença da eternidade no coração do tempo.O Eterno Filho de Deus continua vindo, pelos caminhos mais imprevisíveis, iluminando a dura rotina e a seqüência do cotidiano. Tempo de espera,solidariedade, chegada. Tempo forte carregado de sentido, nos faz ter acesso àquilo que é mais humano em nós: o sentido da esperança que nos arranca de nossas rotinas e modos fechados de viver e nos faz investir a vida, gratuitamente, naquilo que vale a pena, que tem futuro.
O Advento deve ser o tempo que agita os corações, sacode as inteligências, inquieta as pessoas, move as estruturas e nos convida a “contaminar-nos” da realidade; isso nos humaniza. O Advento faz de cada momento o hoje de Deus! Contemplando o “hoje” de Deus, o coração se alarga até o assombro, os braços se abrem para a acolhida, os pés se movem para o encontro, os olhos se aquecem para o reconhecimento e todo nosso ser se faz solidariedade, misericórdia e compaixão.
Assim, inauguramos esse rico “Tempo do Advento” engajando nossas consciências, corações, vidas na luta contra a AIDS-DST. Auxiliada por profissionais de saúde a Pastoral da AIDS-DST da Paróquia de São José Operário promoveu duas noites de formação, com excelentes profissionais da saúde, para a prevenção da tuberculose,hepatites virais B e C,AIDS, e demais doenças sexualmente transmissíveis. Buscou-se também dar critérios e instruções práticas para o cuidado da vida dos já infectados. Uma rica Liturgia na noite de ontem, especialmente com jovens vindos de todas as Comunidades Eclesiais de Base, de Três Rios, celebrou um dos gestos concretos da JMJ – Jornada Mundial da Juventude: a compaixão, a misericórdia e o cuidado da vida ameaçada ou ferida. A reflexão do trirriense e professor da pós-graduação da Faculdade de enfermagem da UERJ, Dr. Marcos Tosoli mobilizou a todos para a luta.
Em todo o Brasil, nossa cidade, é onde a AIDS provoca o maior número de óbitos, informa a chamada grande imprensa. A Pastoral da AIDS-DST nasce, pois, da certeza de que o Esperado, o Filho de Deus, traz uma novidade que envolve e se revela, como também se esconde, em cada rosto humano e em cada fragmento de tempo, deste tempo colocado em nossas mãos. A Igreja de São José Operário, no Bairro Triângulo, há quase dois anos, com um grupo de voluntários, sob a coordenação da psicóloga Maria Leda Elias Augusto, vem enfrentando corajosa e discretamente essa chaga social de nosso tempo.
O Advento é mensagem de sabedoria que nos desperta e nos faz sair de nossos medos, ansiedades, embotamentos e experimentar a Plenitude e a Libertação que o Presente contém e é. O decisivo é que Cristo está vindo sempre. Se o encontro com Ele não acontece é porque estamos adormecidos ou com a nossa atenção centrada em outras coisas (“gula, embriaguez, preocupações da vida”, segundo o Evangelho desse domingo), apegados ao que não plenifica, esquecidos dos rostos desfigurados que num grito surdo clamam por nossa solidariedade, misericórdia e compaixão.
A Pastoral AIDS-DST é o cristão capacitado e comprometido no trabalho de prevenção e assistência. É a Igreja comprometida para que a vida prevaleça, segundo o ensinamento de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida”. A Pastoral da AIDS-DST, nasceu nessa perspectiva, em comunhão com a igreja, para evangelizar homens e mulheres. Atenta às necessidades das pessoas que vivem com HIV, para trabalhar na prevenção e contribuir com a sociedade na contenção da epidemia, envolvendo todos os cristãos na luta contra a Aids. "A igreja assume este serviço e, sem preconceitos, acolhe, acompanha e defende os direitos daqueles e daquelas que foram infectados pela Aids. Faz também o trabalho de prevenção, pela conscientização dos valores evangélicos, sendo presença misericordiosa e promovendo a vida como bem maior” (Diretrizes Gerais da CNBB 2003-2006, n. 123).
Há maneiras de viver que impedem a muitos de caminhar com a cabeça erguida confiando nessa libertação definitiva: acostumados a viver com um coração insensível e endurecido, buscam preencher a vida de bem-estar e falsas seguranças, de costas ao Pai do Céu e aos seus filhos que sofrem na terra. Este estilo de vida os fará cada vez menos humanos. Advento é o momento de escutar o chamado: “levantai-vos”, “erguei a cabeça” com confiança. Deus é Salvação e já está em nós. Basta despertar-nos e descobri-Lo. Esta descoberta nos descentra de nós mesmos, nos projeta para o outros, para o infinito e nos identifica com tudo e com todos.
Medoro de Oliveira