O Papa Francisco convocou ama Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos da Região Pan-Amazônica para, de 6 a 27 de outubro de 2019, refletir sobre o tema "Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral". Serão bispos dos nove países que formam a região: 67% pertence ao Brasil, 13% ao Peru, 11% à Bolívia, 6% à Colômbia, 2$ ao Equador e 1,1% à Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

Este Sínodo para Amazônia quer ser uma resposta do Papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia. De acordo com Francisco, “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”.

A REPAM-Rede Eclesial Pan Amazônica pretende responder a quatro objetivos principais, como podemos ler em seu site; a saber:

Um Sínodo para CONHECER a riqueza do bioma, os saberes e a diversidade dos Povos da Amazônia, especialmente dos povos Indígenas, suas lutas por uma ecologia integral, seus sonhos e esperanças.

Um Sínodo para RECONHECER as lutas e resistências dos Povos da Amazônia que enfrentam mais de 500 anos de colonização e de projetos desenvolvimentistas pautados na exploração desmedida e na destruição da floresta e dos recursos naturais;

Um Sínodo para CONVIVER com a Amazônia, com o modo de ser de seus povos, com seus recursos de uso coletivo compartilhados num modo de vida não capitalista adotado e assimilado milenarmente.

Um Sínodo para DEFENDER a Amazônia, seu bioma e seus povos ameaçados em seus territórios, injustiçados, expulsos de suas terras, torturados e assassinados nos conflitos agrários e socioambientais, humilhados pelos poderosos do agronegócio e dos grandes projetos econômicos desenvolvimentistas.

Dentre as várias temáticas que serão estudadas e aprofundadas no processo sinodal, está em pauta o “rosto dos povos da Amazônia” que representam uma rica diversidade sociocultural nesta realidade em que, dadas as proporções geográficas, é uma região gigantesca onde vivem povos e culturas diferentes que ocupam a região com modos de vida distintos. Todos os dias, retiram das águas o peixe nosso de cada dia sem excessos ou desperdícios, somente o necessário para alimentar suas famílias com o pescado oferecido generosamente pela natureza das águas que ainda o produz em abundância. Mas, toda essa riqueza natural está em risco mediante a exploração desmedida das grandes corporações econômicas.

Estes e muitos outros temas serão, pois, abordados pelo Sínodo especial para a Amazônia que já está em curso e terá seu ponto mais alto, como dissemos, em outubro. Na próxima semana, retomaremos essa temática buscando explicitar outros interesses eclesiais e eco-sociais daquela região.

                                                      Medoro, irmão menor-padre pecador