
Estamos ainda sob o forte impacto da chegada do Papa Francisco, nesta segunda-feira, 22 de julho, em nosso país para presidir a JMJ – Jornada Mundial da Juventude. Uma sintonia que nenhuma sinfonia seria capaz de exprimir. Por um lado, o calor humano-afetivo e de fé dos cariocas, ainda mais enriquecido por jovens de 75 países, tomou conta das ruas da Cidade Maravilhosa, por onde de passava o Vigário de Cristo. Por outro lado a quebra de protocolos e os gestos de afeto do Santo Padre revelavam nessa primeira hora o tempo novo para a Evangelização das Juventudes a para a edificação do Reino de Deus, de amor, de justiça e de paz para o Brasil e todos os povos.
No encontro de acolhida pela Presidenta Dilma Rousseff a “política” em sentidos estrito e estreito cedeu lugar a “política” de evangelização pretendida por sua Santidade. A sintonia de ambos fez ecoar, uma vez mais uma nova sinfonia. A senhora Presidente foi de uma felicidade extraordinária ao exprimir com dignidade e fidelidade os sentimentos das juventudes em nossas ruas e sua disposição de se unir à Igreja na busca das respostas almejadas por nossos jovens. "Sabemos que podemos encarar novos desafios e tornar nossa realidade cada vez melhor. Esse foi o sentimento que moveu, nas últimas semanas, centenas de milhares de jovens a irem às ruas. Democracia gera desejo por mais democracia, por inclusão social, por qualidade de vida” .
E manifestou reconhecimento do Estado e da nação pela atuação das pastorais da Igreja."Fizemos muito, e sabemos que há muito a ser feito. Nesse processo, temos contado com a profícua parceria com a Igreja". E se pode crescer nessa parceria em vista de responder aos nossos desafios."A crise econômica desemprega e retira oportunidade de milhões pelo mundo afora e nos obriga a um novo senso de urgência para combater a desigualdade. A participação de Vossa Santidade agregaria mais condições para criar uma ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade", discursou a presidente.
O Papa Francisco, por sua vez, contrariando o equivocado receio dos nossos irmãos evangélicos preocupados com o fato de o chefe da Igreja Católica ser também chefe de Estado, sinalizou que a missão dele não é ligada às questões estritas (restritas) de ordem econômica, política, mas sim da ordem de valores: “A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço; tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos”.
O Papa Francisco acredita nesse potencial juvenil para as transformações que todos almejamos. E por isso, a razão dessa visita: “O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”. E temos assim o ápice dessa convergência sinfônica que se completa quando o Papa professa: “Cristo ‘bota fé’ nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: ‘Ide, fazei discípulos’. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens ‘botam fé’ em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos”.
Que nesses dias o país inteiro e todo o mundo possam estar sintonizados com o Papa Francisco na busca de um outro mundo possível, de uma sociedade do bem-viver para todos. E o processo tenha início a partir de baixo, dos jovens excluídos. Assim, queremos com simplicidade dizer o nosso sim ao projeto do Reino de Deus apregoado pelo Papa, celebrando a Santa Missa nessa tarde, na Avenida do Contorno, com as jovens em situação de prostituição, por duas de suas colegas, vítimas de mortes precoces, uma delas jovem vítima de violência com o seu nascituro. “ Nesta hora, os braços do Papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira” concluiu o Papa Francisco.
Medoro de Oliveira