Celebramos ao longo dessa semana, os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Um tempo que sintetiza a História do Homem Jesus – Filho de Deus entre nós: “Ele passou entre nós fazendo o bem” (At 10,38). Esse Amor-serviço radical desaguou como sabemos, na sua morte ignominiosa no madeiro da Cruz. Foi politicamente condenado à crucifixão pelo poder religioso (O Sumo Sacerdote Caifás) e pelo poder civil (Pôncio Pilatos) de seu tempo, pena de morte máxima para os crimes mais hediondos de então (cf. Jo 18,12-19,16). Jesus foi brutalmente jogado na cruz porque “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). A Cruz é, pois a expressão máxima do seu amor à humanidade sofredora e pecadora. Jesus Cristo permitiu-se ser crucificado para tirar da cruz todos os crucificados.  
Daí, a graça e os desafios permanentes da Igreja e de cada cristão em particular, são adorar incessantemente a Jesus Salvador e doar a vida para que todos a tenham em abundância (cf Jo 10,10). Isso, bem sabemos, não poucas vezes vem implicando no martírio de muitos e muitos irmãos: os Mártires da Caminhada, como bem expressa as CEBs-Comunidades Eclesiais de Base. Lembremos, a título de exemplo, que o padroeiro de nossa cidade, São Sebastião, sofreu o martírio por duas vezes – na primeira vez foi flechado e na segunda, degolado. Mas recentemente Dom Oscar Romero, o índio Simão Bororo, o operário Santos Dias, a lavradora Margarida Maria e tantos outros que aceitaram professar a fé na divindade do Crucificado na solidariedade aos crucificados. De fato, ou o cristianismo abraça a causa amorosa libertadora de Jesus Cristo, ou não é cristianismo.
Assim, nesses dias, somos todos concitados pela Mãe-Igreja a viver intensamente e de forma orante a rica e diversa Liturgia da Semana Santa e, ao mesmo tempo a empenharmo-nos na fraternidade pela superação da violência. Já na celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, o Papa Francisco conclamou os jovens: "Cabe a vocês a decisão de gritar, cabe a vocês se decidirem pelo Hosana do domingo para não cair no crucifica-O de sexta-feira... E cabe a vocês não ficar calados. Se os outros calam, se nós, idosos e responsáveis, tantas vezes corrompidos, silenciamos, se o mundo se cala e perde a alegria, pergunto-lhes: vocês gritarão?" E concluiu: "Decidam-se antes que gritem as pedras". As paróquias trirrienses, por sua vez realizaram um encontro com as autoridades responsáveis pela segurança publica em busca da paz. Ali, também Dom Nelson Francelino Ferreira, nosso bispo, falou como pastor e profeta! Esperamos ser o início de um dialogo consequente que venha minorar a violência de Três Rios.
Registramos enfim, que no próximo sábado a juventude católica estará realizando uma Pedalada pela superação da violência. Trata-se do 6º Passeio Ciclístico pela Paz promovido pela Pastoral da Juventude, com a adesão dos movimentos eclesiais juvenis – EAC, Segue-me, Shalon, Jufra,... -. Os objetivos são reforçar no coração das novas juventudes os valores humanitários e cristãos perenes e conclamar a sociedade para fazer a sua parte na construção da paz. Em definitivo, a contemplação do Crucificado exige, implica necessariamente em tudo fazermos para enfrentar a situação de violência crescente que aí está. E isso começa com o empenho pela mudança das estruturas sociais, econômicas, politicas e culturais, cujo o primeiro passo é o engajamento nas iniciativas da sociedade civil organizada por novas e consequentes politicas publicas que previna e liberte os crucificados de nosso tempo. “Perante todas estas vozes que gritam “Crucifica-O”, o melhor antídoto é olhar a cruz de Cristo e deixar-se interpelar pelo seu último grito”, nos exorta o Papa Francisco.
 Assim, desejo-lhe, amigo leitor, votos de Santa Páscoa! Que façamos nossa parte para a Páscoa acontecer para o maior numero possível de crucificados! 
                                                      Medoro, irmão menor-padre pecador