Irmãs e Irmãos em busca do Senhor que vem! A nível de Brasil iniciamos nesse Advento o Ano pela Paz. Igualmente, convocados pelo Papa Francisco, o Ano da Vida Consagrada em todo mundo. A Diocese de Valença, por sua vez comemora nove décadas da sua criação. E nós, aqui nos bairros do Triângulo, Moura Brasil, Pilões, Ponte das Graças e Ponto Azul, já festejamos o Jubileu de Ouro da nossa Paróquia de São José Operário, erigida por Dom José Costa Campos, em 26 de junho de 1995. Preparando o Natal do Senhor, há 50 anos buscamos servir o Evangelho da Vida ao povo trabalhador, fiéis à nossa vocação de Igreja no Mundo Operário – intuição da primeira hora.

Como na preparação do Natal de Jesus Cristo, São José Operário tomou a peito o cuidado da vida de Maria e do Menino, vamos buscando viver essa missão de sinal da Providência, sobretudo para os desempregados, subempregados, suas famílias e trabalhos. Estamos na cidade industrial fluminense com seu progresso econômico ascendente que a cada dia abre novos espaços de trabalhos para todos, graças ao empreendorismo seu prefeito, Vinicius Farah. Aqui, José, Maria e Jesus não encontrariam a placa “Não há vagas”, mas “Precisa de ...”. Não teriam que voltar à sua terra de origem para encontrarem trabalho.

Mas, igualmente, como em Belém, em Nazaré ou no Egito, a Sagrada Família estaria enfrentando as inseguranças e ameaças do progresso pensado e organizado em vista do mercado. Há um ano o Papa Francisco brindava o mundo com sua primeira Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (Evangelho da Alegria), na qual condenou enfaticamente a economia de mercado como intrinsecamente má por priorizar o lucro empresarial contra o trabalhador. E assim, o Natal que se aproxima deve mobilizar o melhor de nossas forças no empenho pela solidariedade com o povo trabalhador e a lutar pela justiça no trabalho e pela destinação social da riqueza.

É hora de a sociedade trabalhadora assumir o seu protagonismo histórico para que o progresso econômico não seja um desserviço à vida da população que trabalha e/ou busca trabalho, mas que carece de qualidade de vida digna, seja pelos parcos, para não dizer, vergonhosos salários impostos pelo “invisível” quartel econômico, seja pela falta de estruturas sociais: casa para todos, bairros urbanizados, sistema de saúde humanizado, políticas públicas para a juventude,... É hora igualmente da sociedade organizada formar para a cidadania e preparar interventores sociais, sobretudo para o mundo da política em vista do primado do bem comum.

Aqui entra as dimensões samaritanas e proféticas da Comunidades dos seguidores de Jesus que, segundo São João, “passou entre nós fazendo o bem”. Urge re-encantar a vida dos adolescentes e jovens vítimas do tráfico de drogas e da exploração sexual, de oportunidades mais amplas de educação e de alternativas de lazer. Atenção especial ao cuidado das gestantes e à defesa dos nascituros frente à gravidez indesejada. É inadiável o cuidado da pessoa idosa. Igualmente a profecia que implica nas denúncias das estruturas e grupos de exclusão. Ou ainda a formação permanente das comunidades para o comprometimento cidadão.

Tudo isso nos aproximaria das lições do Natal, especialmente das atitudes de nosso padroeiro, nesse tempo jubilar. Igualmente da vocação paroquial. Quando em 1965 a Igreja se deu conta da maturidade cristão-comunitária dos católicos dessa área, já formados e preparados para assumir uma nova estrutura de comunhão autônoma na relação com a Diocese de Valença, decidiu por uma paróquia que fosse presente no mundo operário nesta terra que emergia como a Cidade Industrial do estado. Eis as razoes da adjetivação do padroeiro: de São José da Boa Morte para Operário. O Natal deveria e deve acontecer aqui!

Medoro, irmão menor-padre pecador