A Igreja iniciou na quinta-feira, 11, o Ano da Fé. A data, marca os 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII. Aberto pelo Papa Bento XVI, através da Carta Apostólica Porta Fidei, este Ano da Fé seguirá até o dia 24 de novembro de 2013, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo e tem como objetivo redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo.

O dia 11 de outubro também marca os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, um dos frutos do Vaticano II, promulgado pelo Papa João Paulo II. Entre nós, tivemos um incentivo ainda maior com a Festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e da querida CEB dos Pilões. A Virgem Maria realiza da maneira mais perfeita a obediência da fé com o SIM corajoso e generoso dado ao Anjo Gabriel, portador da vontade de Deus.  Toda sua vida foi um ato de fé e doação.

Na abertura do Vaticano II, em 11 de outubro de 1962, o Papa João XXIII, unido com os bispos do mundo inteiro – a nossa Diocese estava representada por D. José Costa Campos – deu o sentido dessa reunião que durou três anos e renovou a Igreja. Vamos recordar. É graças ao concílio que hoje somos uma Igreja de comunidades missionárias a serviço da vida e da esperança.

         Entre as muitas expectativas para a abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, estava a palavra que o Papa João XXIII, iria dirigir aos bispos reunidos na Basílica de São Pedro, e à Igreja do mundo inteiro. João XXIII transmitiu segurança à todos. Ele tinha se preparado espiritualmente nos dias anteriores, ficando uma semana em retiro, em clima de oração e de meditação. Todos perceberam que suas palavras eram inspiradas por Deus.

 Ele começou expressando sua grande alegria por ter chegado o dia da abertura oficial do Concílio. Alegra-se a Santa Mãe Igreja, porque, por singular dom da Providência Divina, amanheceu o dia tão ansiosamente esperado em que solenemente se inaugura o Concílio Ecumênico Vaticano II, aqui, junto do túmulo de São Pedro, com a proteção da Santíssima Virgem, de quem celebramos hoje a dignidade de Mãe de Deus.” 

Falando sobre a finalidade do Concílio, afirmou: “É necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo”.  Prosseguindo, surpreendeu a todos com esta generosa proposta que ele sugeria para a Igreja: usar mais o remédio da misericórdia, do que o remédio da severidade: A Igreja sempre se opôs aos  erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações”.

E em seguida, fez uma declaração, que foi ouvida com muito respeito por todos, dizendo que naquele momento a Igreja não queria tanto condenar os erros, mas mostrar com amor as verdades que ela recebeu de Deus. ‘A Igreja Católica, levantando por meio deste Concílio Ecumênico o facho da verdade religiosa, deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade também com os filhos dela separados’.

Foi, portanto, um Concílio sem os famosos “anátemas”, isto é, sem as condenações que sempre existiram em outros concílios. Aos bispos reunidos  o Papa fez questão de dizer como deveriam fazer para atender as grandes esperanças suscitadas no mundo inteiro. Eis suas recomendações, que podem valer também para os nossos trabalhos pastorais. “Isto requer da vossa parte serenidade de espírito, concórdia fraterna, moderação nos projetos, dignidade nas discussões e prudência nas deliberações”.

 Assim dava para fazer um concilio, assim dá para aplicar agora as orientações deste grande Concilio, cujo jubileu estamos celebrando. O Papa João XXIII continuou, mostrando que o céu se unia à terra, em torno deste grande acontecimento, que finalmente estava começando. “Pode-se dizer que o céu e a terra se unem na celebração do Concílio: os santos do céu, para proteger o nosso trabalho; os fiéis da terra, continuando a rezar a Deus”. 

E concluiu com uma prece final: “Deus todo-poderoso, em vós colocamos toda a nossa esperança, desconfiando das nossas forças. Olhai benigno para estes Pastores da vossa Igreja. A luz da vossa graça sobrenatural nos ajude a tomar as decisões e a fazer as leis. Nós vos pedimos, ouvi todas as orações que vos dirigimos com unanimidade de fé, de palavra e de espírito. Assim seja”

Medoro de Oliveira