
Agosto é para a comunidade católica do Brasil o Mês Vocacional. A cada semana a Igreja reflete e reza por uma das vocações especificas dos cristãos. Na semana passada rezamos pela vida e a missão da família. Um momento forte da Pastoral Familiar, que nesse ano, aqui em nossa paróquia, foi dedicado à espiritualidade dos seus grupos de casais, a partir do tema proposto pela CNBB: O Amor é a nossa missão. A família plenamente viva. Esse, por sua vez, abre nosso horizonte em vista de todas as famílias. Missão de comunicar os valores do Evangelho da Alegria!
Acreditamos que a família é o núcleo básico de toda comunidade humana aonde se forma a nossa identidade como pessoas livres e amadas por Deus. E, por isso nos sentimos chamados a uma pastoral das famílias. De fato, hoje, temos uma realidade familiar plural aonde convivem e crescem irmãos que certamente precisam de uma solicitude pastoral maior, diversa e criativa. Já não existe um único modelo de família. Há costumes tradicionais que já se perderam, hábitos convencionais esquecidos e, sobretudo, valores já não cultivados.
Assim, a Pastoral Familiar não é apenas uma missão junto às famílias católicas, aos grupos de casais, aos movimentos familiares. A nossa missão é acolher a todas as famílias e proporcionar as condições próprias para que todos encontrem na experiência familiar, seja ela qual for, o amor que potencializa as qualidades humanas. Servir às famílias significa um serviço à humanidade inteira a partir da célula primeira – nas suas múltiplas configurações atuais - na qual se sustenta a comunidade humana.
À luz do Evangelho da Alegria, a Pastoral Familiar deve, pois, estar aberta às novas formas de agrupamento familiar presentes na sociedade atual. Sem preconceitos, julgamentos ou maledicências, nossa ação pastoral precisa assemelhar-se ao Pastor Misericordioso que dá a sua vida pelas ovelhas, com a finalidade de salvar a todos. A Pastoral Familiar requer, sobretudo, compaixão para com as novas famílias, inclusive aquelas em situações contrárias ao modelo da família cristã.
São as famílias das periferias geográficas e existenciais que esperam ser acolhidas no coração misericordioso da Igreja. Aliás, ao convocar o Ano da Misericórdia, o Papa Francisco, nos deu o norte. A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa. Na Festa da Imaculada Conceição terei a alegria de abrir a Porta Santa. Será então uma porta de misericórdia, onde qualquer pessoa que entre poderá experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá Esperança.
Assim, depois de uma semana de fortalecimento dos valores e laços de nossos grupos de casais, estamos todos empenhados em “tocar a carne de Cristo” – expressão do Papa Francisco – em todas as vidas feridas, nas famílias incompletas, nas famílias em crise, nas famílias em segunda união, nas famílias constituídas a partir da diversidade de gênero, nas famílias que “fogem” aos padrões convencionais, nas famílias empobrecidas, nas famílias que clamam por vida, cuidado, dignidade e paz.
E a partir daí, uma solicitude especial em nossos bairros pelas adolescentes grávidas ou já mães (chegam a 80%), muitas, vítimas do incesto familiar, como também aos nascituros em situação de risco, de aborto; os meninos e meninas explorados pelo tráfico sexual, “os/as trabalhadores/as da Avenida do Contorno”, inclusive aquelas esposa-mães ali levadas por seus maridos nas “altas temporadas mensais” para colaborar com a renda familiar. Misericórdia! Misericórdia!
Medoro, irmão menor – padre pecador