
A Diocese de Valença, à qual somos integrantes entre os nove municípios que a compõem, celebra os noventa anos de sua criação, quando o Brasil Católico inicia o triênio preparatório do Jubileu dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do Rio Paraíba do Sul, em 1917. Essa providencial coincidência logrou podermos receber nesse tempo jubilar a Imagem fac-similli da Padroeira do Brasil. Assim, centenas de fiéis trirrienses e dos municípios vizinhos de Paraíba do Sul, Sapucaia e Levei Gasparian – que integram a Região Pastoral II da nossa Diocese - receberam a histórica e miraculosa Imagem com incontida alegria e indescritível fervor no último domingo, 19 de março, no campo do Clube Entrerriense. Além de estar exposta à veneração popular, está sendo conduzida às repartições públicas, empresas e casas com pessoas idosas ou enfermos que já não podem vir ao seu encontro nas igrejas da cidade.
Vejo esse momento como uma oportunidade impar para respondermos aos lamentáveis, infundados e ofensivos ataques que sofrem os católicos por venerarem as imagens, como se estivessem sendo idólatras, contrários à Bíblia. Ora, as sagradas imagens não são ídolos! Recordemos, por exemplo, a imagem dos Querubins com a Arca da Aliança. Foi diante dessa Arca com as imagens que, segundo a Bíblia, o Rei Davi salmodiava. Era, também, do meio dessas imagens que Deus falava a Moisés (Êxodo 25, 22). Outro exemplo é a imagem de Jesus suspenso em sua Cruz. Sabemos todos, católicos e conscientes, sinceros e honestos cristãos não católicos que se trata de mais uma “figura bíblica” que se realiza em Cristo: a da imagem de bronze do deserto. (Num 21,8 – Jo 3,14). E o Apóstolo São Paulo afirma: “É preciso nos gloriarmos na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gal. 6,14).
Podemos dizer, sem medo de errar, que a Bíblia manda fazer imagens! E o que são imagens? São, em geral, representações esculturais de pessoas de qualquer natureza, ou de conceitos morais. Por exemplo, as imagens de Miguel Arcanjo, de Moisés, da Liberdade, etc. E as imagens sagradas o que são? São representações de Santos, Anjos, da Virgem Maria, de Jesus, etc. E quem mandou fazer imagens? Foi o próprio Deus! É o que ensina a Bíblia. Deus mandou fazer imagens de Querubins (Anjos) para a Arca da Aliança (Êxodo 25,18). A Arca da Aliança com os Querubins ficava no lugar mais sagrado do Templo, o “Santo dos Santos”, que, uma vez por ano o Pontífice aspergia com os sangues das vítimas imoladas a Deus (Heb 9, 1-7). Também Salomão encheu de imagens o Templo (1 Reis 6, 23-29). E Deus aprovou (1 Reis 8 6-11).
Logo, quem é contra as imagens e diz que segue a Bíblia, se é reto de consciência, é porque ainda não leu e não entendeu tudo que se dizem as imagens.
Elas cumprem uma finalidade evangelizadora, catequética. Servem as imagens para lembrar os anjos, os santos e o próprio Deus. É o que também ensina a Bíblia. Está no livro dos Números, 21,8. Aí Deus mandou Moisés fazer e levantar num poste de madeira uma serpente de bronze, e disse que quem a fitasse ficaria curado das mordeduras da serpente. E Jesus se referiu a esse fato como sendo uma “figura” de sua crucificação (Jo 3,14), como lemos acima. Por isso, os falsos crentes detestam a cruz, como Satã a detesta. Escutemos, porém, a Bíblia: “nós, porém, pregamos a Cristo crucificado” (1 Cor. 1,23)
Então era a serpente que curava? Não. Era Deus. Mas, a imagem da serpente serviu para lembrar a ofensa feita a Deus, serviu para lembrar a Deus. E a imagem de Cristo na cruz? Ela lembra, muitíssimo mais, o pecado, a Redenção pela Cruz, o amor de Cristo por nós... Logo, as imagens são muito úteis. Elas nos ajudam a pensar em Deus, a ir a Deus. Ajudam também a dar aos lugares de culto um aspecto sagrado e convidam ao recolhimento e à oração (Ex. 25,22, 1 Reis 6, 23-28). Por isso, os querubins da Arca da Aliança não eram simples adorno. Lembravam ainda a mediação secundária dos Anjos (Heb. 1,14), e integravam os objetos do culto. Além desses casos, a Bíblia está cheia de “imagens” e “quadros” que o Artista Divino “pintou” com letras divinas. Esses quadros inspiram os artistas e escultores em seus lindos painéis e esculturas ou imagens.
Ainda a respeito da serpente de bronze: para que ela continue a ser símbolo da Paixão de Cristo, não importa o fato de o rei Josias tê-la destruído, cerca de cinco séculos depois (2 Reis 18-14). O ato de Moisés, levando-a a um poste por ordem de Deus foi aprovado por Jesus, dois mil anos depois. Ela conserva todo seu valor simbólico apesar de ter sido destruída. Por tudo isso, nós católicos não adoramos as imagens. Quem o afirma, ou não entende de catolicismo, ou está agindo e mentindo contra a Bíblia. Nós veneramos as imagens porque são representações das pessoas santas e amigas de Deus, ou do próprio Deus. E porque elas inspiram amor e imitação das virtudes das pessoas santas que representam. Por isso, as imagens sagradas são muito úteis. Nada, pois, de idolatria nisso. É essa a razão pela qual respeitamos e veneramos a Bandeira Nacional: simboliza a Pátria e inspira o patriotismo. Logo quem acha quem acha que a imagem é só um pedaço de madeira ou pedra, deve achar que a bandeira nacional é um pedaço de pano qualquer.
Recordemos, por fim, que a Bíblia condena os falsos deuses e suas esculturas (ídolos) como “deuses mudos” (Salmo 113,13), e “imagens e esculturas de coisas do céu, da terra e das águas” (Êx. 20, 3-5). Isso porque são ídolos que os pagãos faziam para representar seus falsos deuses (Rom. 1,23). De fato, os gentios antigos adoravam como “deuses do céu” a certos astros (Júpter, Vênus, etc); e “da terra” a certas aves e quadrúpedes; e “das águas” a certos anfíbios (ex. 32, 1-6; Rom. 1,23). Para os egípcios, por exemplo, o crocodilo era um animal sagrado. Por tudo isso, quem confunde as abominações dos gentios com as sagradas imagens, mente e injuria a Bíblia, que dizem venerar, pois a fazem contraditória, fazendo-a, num lugar, afirmar uma coisa, e noutro, negar essa mesma coisa. Quem é contra as imagens que a Santa Igreja venera, não é só contra a Bíblia. É também contra o bom senso. Pois, não podemos sequer pensar sem formar imagens em nossa mente. O uso de imagens é, pois, também conatural à natureza humana.
Medoro, irmão menor – padre pecador