
Estão vivas na mente e no coração as alegrias do último dia 13, quando entre outros, fui homenageado com o Título de Cidadão Trirriense. Agradecido aos senhores vereadores por tamanha honraria, vi-me impelido a sair ainda mais de mim mesmo, para ir ao encontro de todos os cidadãos trirrienses; agora, meus irmãos de direito para além do dever. Ser irmão é um dever que se impõe à consciência e ao coração de todo homem, especialmente de todo cristão. A adoção cidadã oficial, por sua vez, dá o direito do pleno exercício da cidadania e da solidariedade que lhe é inerente. Nenhum co-cidadão pode ficar fora dessa fraternidade local.
Ora, tudo isso acontece quando a cidade celebra às vésperas do Natal o seu 75º aniversário de emancipação municipal. Um número simbólico: tempo da maturidade! Saudamos assim, com sincero afeto, à família trirriense pelo seu feliz momento histórico: mais que um jubileu cronológico, celebra um jubileu kairológico; um tempo de graça na retomada de sua vocação industrial, de seu desenvolvimento econômico, social e cultural. A confluência de propósitos nobres e de ações conseqüentes entre o Gestor Municipal, o Sr. Vinicius Farah, e a Câmara de Vereadores faz de Três Rios o município de maior desenvolvimento do país. “Cidade empreendedora” é o troféu jubilar.
Uma cidade com trabalho e qualidade de vida para todos os cidadãos é a aspiração de todos, é já o compromisso e empenho efetivos e das autoridades constituídas. Mas é igualmente uma responsabilidade-tarefa de todos os cidadãos. Daqui decorre, em primeiro lugar, a urgente e inadiável participação do terceiro setor. Além do trabalho, se espera da próspera e bem sucedida classe empresarial o aumento dos salários do operariado dedicado e competente e outras formas de investimento na cidade, como solidariedade social. Recordando o Beato João Paulo II, advertimos: “Sobre cada propriedade privada pesa uma hipoteca social”.
O Papa Francisco apelando aos empresários a uma mais justa distribuição de renda, convoca a todos à globalização da solidariedade. E aqui entra o papel urgente da sociedade civil organizada, o qual implica na dinamização e autonomia das associações de moradores, na revitalização dos sindicatos, na formação de novos interventores sociais e na missão profética libertadora das Igrejas Cristãs e demais confissões religiosas. Diria da urgência do ecumenismo em favor da unidade, não só dos cristãos, mas de todos os cidadãos e do cuidado, defesa e promoção da vida dos excluídos e descartados. Deus é Pai de todos e todos os seus filhos são legítimos.
Os problemas sociais persistentes que têm seus impactos mais devastadores nas gerações emergentes sem sonhos, sem utopias, devem mobilizar a todos que se dizem com Fé, para que a experimentem no exercício da caridade e na promoção da justiça e da paz. É hora das Igrejas se unirem para acordar a Esperança. A concorrência ou competição religiosa só interessa a avarentos, insensatos e inconseqüentes mercadores da fé. E o Natal que estamos para celebrar uma vez mais é, em si, a mensagem mais eloqüente de Deus à humanidade. No presépio de Belém, o Menino sem teto e sem terra, veio “para que todos tenham vida e atenham em abundância” (Jo10,10).
Jesus Cristo ao tomar consciência de sua missão, proclamou na sinagoga de Nazaré que tem o Espírito Santo para evangelizar os pobres, libertar os oprimidos e cativos, curar toda enfermidade e anunciar um ano de graça para todos (cf. Lc 4). Mais tarde deixou-nos, na Última Ceia, o Mandamento Novo do Amor, como distintivo dos cristãos (cf. Jo 15). E na cruz, nos amou até o fim! Desejemos, pois que o Natal seja para todos uma oportunidade renovada de conversão do coração a Jesus Cristo. E esse acolhimento cordial nos faça verdadeiros cidadãos para que o Natal se manifeste na cidade para todos pela solidariedade dos seus cidadãos.
Medoro de Oliveira