
A Igreja em Três Rios celebra 90 anos da Paróquia de São Sebastião e 50 anos da Paróquia de São José Operário, enquanto a nossa Diocese de Valença celebra também os seus 90 anos de criação. Segundo a tradição bíblica mais original um jubileu é um tempo de louvor, penitencia e de resgate das dívidas sociais.
No Antigo Testamento era um ano em quem se esperava a vinda do Messias. Daí que, segundo o testemunho do Evangelho de São Lucas, capítulo 4, Jesus se auto-apresentou na Sinagoga de Nazaré como que foi enviado “para evangelizar os pobres, libertar os oprimidos e cativos, dar vistas aos cegos e a anunciar a chegada do Ano Jubilar da Graça do Senhor”.
Buscando a fidelidade à essa Tradição bíblico-eclesial, queremos celebrar um Natal em que nos fazemos presentes junto aos famintos e excluídos, como propõe o papa Francisco, e encantamos a todos de mistérios ao professar o Deus que em Belém se fez homem entre nós para que possamos nos tornar divinos. Assim, fazemos nossos os Decretos de Natal, de Frei Betto.
“Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus.
Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone celular e, recolhidos à solidão e ao silêncio, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor.
Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecerão ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão.
Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza.
Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seu custo convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal da pessoa que a serve.
Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar que ele é "Pai Nosso” se o pão também não for de todos, e não privilégio da minoria abastada.
Fica decretado que toda dieta reverterá em benefício de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou mera formalidade. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços.
Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém.
Fica decretado que, como os reis magos, haveremos de reverenciar, com a prática da justiça, aqueles que, como Maria e José, foram excluídos da cidade e, como uma família sem terra e teto, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança”.
E assim, desejamos a todos um abençoado Natal!
Medoro, irmão menor-padre pecador