Nesta quarta-feira, 27 de setembro, Dia de São Vicente de Paula, a Igreja comemora o Dia da Caridade. Trata-se da celebração da caridade do dia-a-dia a exemplo das Conferências Vicentinas, que anonimamente visitam e socorrem às famílias mais pobres de nossos bairros. Queremos assim reverenciar, de modo especial, os nossos abnegados vicentinos, militantes da caridade, fundados por Frederico Ozanan, em 1883.

Resgato como iluminação para essa data, a mensagem proferida pelo Papa Francisco no Primeiro Dia Mundial dos Pobres, acontecido no dia 13 de junho, e que teve como tema: «Não amemos com palavras, mas com obras». Estas palavras do apóstolo São João – diz Francisco – são um imperativo do qual nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo “discípulo amado” até aos nossos dias, é um apelo indeclinável e inadiável.

Ora, quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo para com os mais pobres. Aliás, é bem conhecida a sua forma de amar: “Ele nos amou primeiro, a ponto de dar a sua vida por nós”. Deste modo, o amor misericordioso, que brota do coração da Trindade, se concretiza e gera compaixão e obras de misericórdia pelos irmãos e irmãs mais necessitados. Essa exigência nos faz uma “Igreja em saída”.

Neste sentido, o Papa Francisco fez diversas referências da vida de Jesus, que ecoou, desde o início, na primeira Comunidade Eclesial, que assumiu a assistência e o serviço aos pobres, com base no ensinamento do Mestre, que proclamou os pobres “bem-aventurados e herdeiros do Reino dos Céus”. Contudo, reconhece o Papa, aconteceu que alguns cristãos não deram a devida atenção a este apelo, deixando-se contagiar pela mundanidade.

Mas, o Espírito Santo soprou sobre muitos homens e mulheres que, de várias formas, dedicaram toda a sua vida ao serviço dos pobres. O Papa recordou que, nestes dois mil anos, numerosas páginas da história foram escritas por cristãos que, com simplicidade e humildade, se colocaram a serviço dos seus irmãos mais pobres. Aqui, citou alguns nomes que mais se destacaram na caridade, como São Vicente de Paula. Eis a nossa vocação!

O nosso mundo, muitas vezes, não consegue identificar a pobreza dos nosso dias, com suas trágicas consequências: sofrimento, marginalização, opressão, violência, torturas, prisão, guerra, privação da liberdade e da dignidade, ignorância, analfabetismo, enfermidades, desemprego, tráfico de pessoas, escravidão, exílio e miséria. A pobreza é fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!

Diante deste cenário, nós cristãos não podemos permanecer inertes e resignados, afirmou o Papa. Todos estes pobres – como dizia o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por “direito evangélico” e a obriga à sua opção fundamental. Por isso, somos chamados a fixar nosso olhar, neste dia, a todos os estendem suas mãos invocando ajuda e solidariedade. A Igreja é chamada permanente a ser pobre, dos pobres e para os pobres.

Que este dia sirva de estímulo para reagir à cultura do descarte, do desperdício e da exclusão e a assumir a cultura do encontro, com gestos concretos de oração e de caridade, por um mundo melhor, mais humano e fraterno. Um dia para assumirmos como nossa, a missão dos vicentinos: o cuidado dos pobres. Os pobres – diz por fim Francisco - não são um problema, mas “um recurso para acolher e viver a essência do Evangelho”.

Medoro, irmão menor-padre pecador