
As Comunidades Católicas se reúnem diariamente ao longo do mês de outubro para a meditação dos Mistérios da encarnação, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo recitando um Terço (50 Ave-Marias) do Rosário de Nossa Senhora (150 Ave-Marias). Rezar com Maria é uma tradição que lança suas raízes nas comunidades cristãs do Novo Testamento que rezavam os 150 Salmos do Povo do Antigo Testamento, ao longo de uma semana. Era costume rezarem pela manha, à tarde e à noite. Rezavam também três vezes por dia a Oração do Senhor, o Pai nosso.
A Igreja nos seus primeiros séculos viveu, como sabemos, a dura experiência da perseguição, do martírio. Os cristãos testemunhavam a fé dando a vida como Cristo. O testemunho mais impressionante, se assim podemos dizer era o das Virgens. Tais mulheres cristãs que eram levadas para o martírio, vestiam suas roupas mais belas e adornavam suas frontes com coroas de rosas, mostrando a liberdade e a alegria de irem ao encontro do Noivo, o Senhor Jesus. Ao fazerem o sepultamento com muita reverencia, os cristãos recolhiam suas flores, e por cada rosa recitavam um salmo pelas essas coirmãs martirizadas. Mas, nem todos podiam seguir essa pratica, pois não sabiam os Salmos de cor, como o sabiam os cristãos vindos do judaísmo. Dai que a Igreja, no mundo pagão, foi substituindo os 150 salmos por 150 Ave-Marias. A este “rosário” deram o nome de “saltério da Virgem”.
Pouco antes de findar o século XII, num tempo de grave decadência moral e religiosa, São Domingo de Gusmão teve o privilégio da aparição da Virgem Maria que lhe disse: “a melhor arma para combater a heresia e conseguir a conversão dos hereges é a recitação de seu saltério”. Numa segunda aparição de Nossa senhora, na Catedral de Toulouse, São Domingos começou a rezar o Rosário, e com ele todo o povo reunido na catedral diante de uma grande tempestade. À medida que rezavam a tempestade amainava, até que cessou completamente. Noutra ocasião, São Domingos iria fazer um sermão na Catedral de Notre Dame de Paris e eis que a Virgem lhe apareceu e disse: “seu sermão está bom, mas este que lhe dou está melhor!”, e deu-lhe um que tratava da devoção ao seu Santo Rosário.
Dois séculos mais tarde, em 1349, houve uma terrível epidemia na Espanha que devastou o país, à qual deram-lhe o título de “morte negra”. Foi nessa ocasião que Nossa Senhora teve a condescendência de aparecer, juntamente com seu Divino Filho e São Domingos, ao frei Alano de la Roche, então superior dos dominicanos na mesma província onde nasceu a devoção ao Santo Rosário. Nessa aparição a Virgem Maria pedia que frei Alano fizesse reviver a devoção ao seu Saltério. Ele assumiu tal missão e deu ao Rosário a forma que tem até hoje, dividido em dezenas e contemplando os mistérios da vida de Jesus e Maria. A partir de então essa devoção se estendeu por toda a Igreja
O mês de outubro se tornou o Mês do Rosário quando no mar de Lepanto se deu uma imensa batalha entre católicos e turcos. O entrechoque das embarcações recorda a conflagração final, quando a abóboda celeste enrolar-se qual um pergaminho. Era o dia 7 de outubro de 1571. A léguas de distância, em Roma, enquanto São Pio V implorava o auxílio divino, por intercessão da Mãe da Igreja, recebe a revelação que comunica ao povo: ”vencemos em Lepanto! Dias mais tarde, chegam os emissários da esquadra trazendo a notícia já antes anunciada pelos Anjos. E por isso institui a festa de Nossa Senhora das Vitórias no dia 7 de outubro. Um ano mais tarde, o Papa Gregório XIII mudou o nome para festa de Nossa Senhora do Rosário, e determinou que fosse celebrada no primeiro domingo de outubro (dia em que se venceu a batalha em Lepanto).
Atualmente a festa é celebrada no dia 7 de outubro e se desdobra na recitação diária do Terço de Nossa Senhora. O São João Paulo II acrescentou mais uma dezena no Rosário: os Mistérios Luminosos. Rezemos, com Maria, pela desafiadora missão da Igreja em nosso tempo; além, é claro, de nossas intenções pessoais.
Medoro, irmão menor-padre pecador