Já estamos na terceira semana do Mês da Bíblia, sempre celebrado do Brasil em setembro. A iniciativa de dedicar esse mês especialmente à Bíblia se deve ao fato de que no dia 30 celebra-se São Jerônimo, o biblista que traduziu a Bíblia do hebraico, do aramaico e do grego para o latim, deixando também muitos comentários bíblicos. Desejava oferecer aos fieis um maior conhecimento da Palavra de Deus e também uma maior divulgação da mesma. Aqui em Três Rios temos festejado esse dia na Avenida do Contorno junto àquelas e aqueles marginalizados em situação de prostituição. Há 5 anos descobrimos que essa população marginal se colocou piedosamente, há anos, sob a proteção de São Jerônimo.

            No Brasil, a iniciativa do Mês da Bíblia, surgiu quando a Arquidiocese de Belo Horizonte comemorava os seus 50 anos. Ali se teve a iniciativa de fazer estudos, leituras, orações e divulgação da bíblia, entre os fiéis. A iniciativa foi assumida pelo Serviço de Animação Bíblica que, a partir desse evento, foi avançando pelas dioceses do Brasil e exterior, até ser acolhida por todas as dioceses em 1985. Desde 2012, inspirado no Documento de Aparecida o tema tem se centrado nos evangelhos, concretamente sobre o discipulado e a missionariedade dos cristãos. Assim, o tema desse ano é “Discípulos e Missionários a partir do Evangelho de João”, a partir do versículo-lema escolhido: “Permanecei no meu amor para dardes muitos furtos” (Jo 15,8-9).

            Esta vivência do amor na comunidade e na solidariedade com os pecadores, doentes, sofredores, excluídos e descartados é o principal legado do Quarto Evangelho para as comunidades cristãs de todos os tempos. Devemos viver a partir da fonte, do Amor de Deus em Jesus por nós, o amor entre nós; o mesmo amor assumido pela comunidade joanina que na intensidade dessa amorosidade foi identificada como a Comunidade do Discípulo Amado (Jo13,23-25; 18,15; 20,2-10). Esse discípulo anônimo que representa todos aqueles que assumem a prática do amor, da solidariedade e da justiça é a Comunidade mesma que acolhe esse Evangelho dado “para que vocês acreditem que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que acreditando, tenham vida no nome dele” (Jo 20,31).

            Esse Evangelho é o testemunho vivo da comunidade, de suas lutas e dificuldades, dos conflitos vividos com as autoridades judaicas, com o Império Romano e com os seus próprios membros em suas diferentes compreensões da mensagem de Jesus. Dai ter levado mais ou menos 60 anos para ser escrito. A última redação do ano de 95 d.C., com alguns acréscimos posteriores, reflete pois, a interpretação e a vivência das comunidades, com o objetivo claro de aprofundar a fé em Jesus, Messias e Filho de Deus. O texto reúne algumas expressões e acontecimentos marcantes da vida de Jesus, com a finalidade de levar os seus primeiros leitores, como dissemos, à fé em Jesus como o Messias, o Filho de Deus presente na história.

            Neste Mês da Bíblia o Evangelho de João continua nos desafiando à vivência do amor até às últimas consequências: “Ele que tinha amado os seus, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Daí, que o único mandamento presente no Quarto Evangelho é o Mandamento Novo do Amor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34; 15,17). A medida do nosso amor é o amor de Cristo: amar até dar a própria vida! E esse amor, refletido e assumidos em nossas comunidades, se torna, no nosso ano jubilar, a razão de nossas Missões Populares por um Círculo Bíblico em cada rua, por uma Igreja em saída às periferias geográficas e existenciais, para ali tocar com amor na carne de Cristo nos pobres. E pelo mesmo motivo, celebramos com grande êxito a Semana da Cidadania, sob o tema: “A presença da Igreja na sociedade”, como expressão alta da caridade que busca, por amor a Jesus Cristo, combater nas raízes as causas dos múltiplos e cruéis sofrimentos dos pobres. Parabenizamos na pessoa do Eduardo Pires a todo o Movimento de Fé e Política – seu coordenador - , por tão alta realização.  Cresçamos na fé crescendo no amor aos demais, especialmente aos mais pobres, sofredores e pecadores!

Medoro, irmão menor – padre pecador