
Continuamos em nossas comunidades celebrando o Mês da Bíblia que nesse ano tem como tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida!” e lema “A sabedoria é um espírito amigo do ser humano”. E foi nesse contexto que nossas comunidades experimentaram e festejaram dois testemunhos ímpares de amor e fidelidade à Palavra de Deus. A celebração dos 70 anos de vida consagrada da Irmã Teresinha Felipe, dos quais 08 dedicados à comunidade trirriense no cuidado da saúde com a implantação da unibiótica. E a inesperada páscoa da líder comunitária a Agente da Pastoral Afro-brasileira, Cláudia Maria da Silva Thomaz.
A Ir Teresinha, natural de Timbó, Santa Catarina, filha de Salvador e Ana Felipe, é religiosa da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, que conheceu quando, ainda criança, quando foi estudar no colégio das referidas irmãs em 1947. Fez sua profissão religiosa em Rodeio, SC, em 25 de dezembro de 1947. Em 1992 veio enviada para Barra Mansa e dai, depois de 06 anos para nossa paróquia. Aqui trabalhou com a UNIBIÓTICA ajudando a mais de três mil pessoas a ter uma qualidade de vida melhor. O seu lema é Melhorando Tudo, melhorando todos! Alia-se a isto a sua presença testemunhal simples, fraternal e sempre disponível. Nos três dias que aqui ficou, visitou dezenas de famílias e fez chegar a muitos a sua nova cartilha de cuidados eficazes e simples por saúde e vida com qualidades. Um testemunho vocacional que certamente irá despertar em nossos jovens os apelos que o Senhor lhes dirige para uma dedicação maior à Igreja e ao Povo de Deus.
Parecia que esses dias preparavam-nos para a dura experiência da morte e ressurreição de nossa querida Claudia, leiga exemplar da Comunidade e Nossa Senhora de Fátima, no Bairro de Moura Brasil. Há anos iniciou sua caminhada e serviços comunitários coordenando um Círculo Bíblico que fundou e persevera ate os dias atuais. A seguir a comunidade lhes confiou a coordenação da mesma, da Pastoral do Dízimo e da Pastoral de Liturgia. A paróquia por sua vez a acolheu no CPP-Conselho Paroquial de Pastoral, no Movimento Fé e Política, na CAP-Comissão de Assessoria Pastoral e na Pastoral Afro-descendente. A pequena formação formal foi muitíssima superada pelo seu caráter autodidata e afirmativo, sua liderança lúcida, competente e consequente e por sua ímpar caridade social.
A morte da Cláudia foi por todos nós experimentada como algo irracional, que a inteligência humana é incapaz de explicar. Só mesmo a Fé em Jesus Cristo Ressuscitado e a esperança certeza na ressurreição e na vida eterna para nos confortar e nos fazer continuar abraçando a sua bandeira, o seu legado: o projeto do Reino de Deus, ou seja o mundo do jeito que Deus quer. Com e pela Cláudia fomos educados e encorajados à partilha, à solidariedade e ao engajamento cristão-politico na defesa e promoção da vida digna e feliz para todos. No Ano do Leigos e Leigas, a Páscoa da Cláudia faz festa no céu e canaliza o luto na terra como energia para o amor-serviço aos demais, especialmente aos empobrecidos e excluídos. A vocação do laicato é ser sal da terra e luz do mundo (cf Mt 5).
Esses dois admiráveis testemunhos de vida cristã só foram possíveis pela vida orante daquelas que - cada uma a seu modo – cultivam a partir da leitura orante da Palavra de Deus. Somos assim enriquecidos, no Ano do Laicato e no Mês da Bíblia, pelas vidas em festas de Ir Terezinha e Cláudia, uma em festa jubilar e outra na Festa que nunca se acaba, o céu! Vale pois, a pena amar e servir!
Medoro, irmão menor-padre pecador