Celebramos nesses dias a Semana da Vocação Laical aos Ministérios Eclesiais, dentro da dinâmica do Mês Vocacional. Todos os batizados receberam dons e carismas que devem ser discernidos e acolhidos pela Igreja de modo atuarem nos vários serviços e ministérios das comunidades. Os fiéis leigos não são meros cooperadores dos padres, ou cristãos de vida passiva, dependentes do clero. Segundo a Tradição mais genuína da Igreja que remonta às Comunidades do Novo Testamento, todos receberam o Espírito Santo para atuar na Igreja e na sociedade de forma responsável e adulta. A Igreja não é a justaposição de duas classes: clero (os que comandam) e laicato (os que passivamente obedecem). Mas uma comunhão de carismas, serviços e ministérios.

            Assim, o bom católico, o cristão maduro, assume res-ponsabilidades, dão respostas à sua vocação atuando com os outros em favor de todos. A sua espiritualidade não se reduz à práticas devocionais, de piedade, mas tem a sua centralidade no seguimento de Jesus; o qual implica na escuta atenta e querida da Palavra de Deus em comunidade (Círculos Bíblicos, Catequese, Grupos de jovens e de casais, ...), na vivência sacramental (Missa Dominical, Confissão habitual, ...), na fraternura comunitária (encontros e trabalhos comunitários) e no exercício da misericórdia na iniciativas da Igreja (Pastorais sociais, Vicentinos,....) e na inserção social, seja nas organizações da sociedade (Conselhos Paritários, Associações de Moradores, ...), seja nos posicionamentos proféticos frente às realidades adversas, desumanas e excludentes.

            Assistimos, todavia, uma tendência atual no clero e no laicato de se entender e viver o cristianismo apenas dentro da igreja, mediante praticas devocionais e que alimentam apensa o individualismo religioso, que não forma comunidades adultas, nem cristãos que assumam a missão de sal e luz do mundo. O Papa Francisco tem, por isso mesmo, insistido para sermos uma Igreja em saída, uma Igreja missionária e solidária. “A Igreja ‘em saída’ é a comunidade de discípulos missionários que ‘primeireiam’, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor e, por isso, ela sabe ir à frente, tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar ás encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos”.

            O Papa, além de sublinhar a dimensão missionária, já que todos tem o direito de receber o Evangelho da Alegria e, portanto, é dever de todos os cristãos evangelizar, conclama os cristãos à pratica da misericórdia. O cristão “vive um desejo inesgotável de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva (...) Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo”. “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. “Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos”.

            Felicitamos a todos os fiéis que fazem do seguimento de Jesus a sua vida e testemunha o Evangelho da Alegria aos demais, com palavras e gestos de compaixão. Uma saudação especial à Pastoral da Juventude pelos três gestos, nas últimas semanas, de uma Igreja em saída: a Missão Jovem nas nossas periferias geográficas pela inclusão na vida da Igreja e por sua promoção humana; o Fórum Juventude e Cidadania contra a redução da maioridade penal; e a Caminhada Ecológica com Francisco no Caminho da Laudato Se, na pedra de Paraibuna. E abençoo com especial afeto nesses dias aos leigos adultos pela criação do Terço dos Homens em vista do êxito da missão evangelizadora-solidaria; pelas Missões Populares e o surgimento de novos Círculos Bíblicos; e a promoção da 3ª Semana da Cidadania de 7 a 13 de setembro. Asseguro a todos minhas orações pela fidelidade vocacional a que estão chamados!

Medoro, irmão menor – padre pecador