No próximo terceiro domingo de agosto celebramos o Dia das Vocações à Vida Consagrada. A nossa cidade de Três Rios foi sempre pastoral e espiritualmente enriquecida pela presença dos religiosos do Verbo Divino na Paróquia de São Sebastião, pelas Irmãs Filhas do Divino Zelo no Colégio Santo Antônio e na Obra Social Madre Palmira Carlucci e pelas Irmãs Filhas de São José. Nessa data, agradecidos por todos e todas, queremos agradecer de modo especial pelas Irmãs Josefinas, no passado no Hospital de Clínicas N S Conceição e nos últimos oito anos em nossa Paróquia de São José Operário. E o fazemos compartilhando sua identidade e missão como um apelo vocacional às nossas jovens.

Deus deu à Igreja um novo carisma, quando inspirou o Padre Francisco Butiñá uma maneira concreta de viver o seguimento de Jesus, o Obreiro de Nazaré, que é corporificado na história, em uma cidade, que vive em família e trabalha em tarefas simples, dignificando assim o trabalho humano. O trabalho que Butiñá vislumbrava é profundamente marcado pela oração-contemplação que nos leva a descobrir a presença de Deus em todas as coisas, fazendo do trabalho "um penhor de amor e um tributo de louvor". O trabalho é o meio no qual a santificação deve ser buscada, trabalhada. As Josefinas se comprometem a "não desistir até que alcancem a perfeição, unindo suas preces com o trabalho". O trabalho é, pois, o principal meio de evangelização, é a maneira de ganhar a vida, é um serviço ao irmão e à sociedade.

Desde o início, a palavra "Oficina" substituiu o nome tradicional do convento com o qual as casas religiosas são chamadas, indicando onde e como esta nova fundação foi localizada. O que traz de volta a palavra ”oficina” é que nos diz que Deus está no trabalho operário, no trabalho manual, que é encontrado lá, seguido, elogiado e servido com os irmãos do mundo do trabalho pobre. A oficina, lugar do serviço, onde/como Jesus entrou em Nazaré e na história. As Josefinas tem como seu modo peculiar de seguir a Jesus e  também o seu lugar social, ou seja, o estar entre aqueles que trabalham, entre os trabalhadores pobres. As Josefinas, chamados a viver à luz da oficina de Nazaré e a seguir Jesus, o trabalhador, são trabalhadoras religiosas. É um modo significativo de viver e dizer a essência da sua vocação às mulheres trabalhadoras e pobres. (XVII Capítulo Geral, 2008)

A missão da Congregação é, pois, a evangelização do mundo do trabalho dos pobres, especialmente das mulheres, no estilo da primeira Oficina: serviço e louvor, consagração e missão no trabalho, na realidade de cada dia, junto com os trabalhadores, onde brota uma nova maneira de rezar e louvar.  A missão é única e único o anúncio que fazem através das várias tarefas que exigem um impulso constante da dimensão evangelizadora nos mais diversos campos de trabalho, e também uma atualização contínua, ouvindo os apelos urgentes em fidelidade ao ser humano do nosso tempo. Promovem o trabalho alternativo, como no Clube de Mães de nossa paróquia, para a pessoa humana empobrecida. E numa realidade trabalhista conflituosa, suas presenças trazem luz e esperança e abrem caminhos de libertação para as mulheres trabalhadoras e pobres. (XVII Capítulo Geral, 2008)

Eis aqui um apelo vocacional a quem esteja se perguntando sobre sua vocação.  A história vocacional de cada um é diferente. Mas muitas vezes tudo começa de maneira discreta. Algo que atrai, que questiona, que preocupa... Um desejo profundo de realização ainda não muito definido ... Mas, acima de tudo, Deus que ocupa o coração provoca uma pergunta: o que você quer fazer da sua vida? Por que, para quem você quer viver? Dar espaço para essa pergunta faz seguir em frente. Sem muitas garantias ou itinerários predeterminados. É sim uma aventura. A aventura vocacional discreta, sem efeitos extraordinários, mas com um significado profundo. Nesse caminho, uma jovem Josefina se encontra com Jesus, sua vida oculta em Nazaré, sua condição de trabalhadora, encarnada e tornada uma das muitas pela solidariedade e amor com milhões de homens e mulheres mergulhados em uma vida oculta; e também se encontra com o mundo do trabalho, especialmente com mulheres, com o rosto de tantas irmãs e companheiras, trabalhadores empobrecidos, emigrantes, camponeses, desempregados... E essas duas descobertas, esses dois amores, Jesus de Nazaré e mundo de trabalho, eles se tornam razões para viver e dar vida. Que jovens cristãs, de nossas famílias operárias se abram a esse chamado de Deus!

                                                      Medoro, irmão menor-padre pecador