Na última segunda-feira, dia 13, celebramos o 4º ano do pontificado do Papa Francisco. E, no próximo domingo, 19 de março, a Igreja celebra a festa do operário São José, o castíssimo esposo da Virgem Maria, como Patrono da Igreja Católica. Não é uma mera proximidade cronológica. Como São José é o “Santo do silêncio” que fala, segundo os Evangelhos, apenas por suas obras, sua fé e seu amor por Jesus e Maria, pelo cuidado da vida, o Papa Francisco é o “Papa do Silêncio” que fala com seus gestos de misericórdia e solidariedade a toda vida ameaçada ou ferida. São José foi declarado Patrono da Igreja Universal pelo Papa Pio IX em 1847. Isto porque a Igreja tem por missão o amor-serviço que Jesus recebeu de Deus-Pai, através do testemunho de seu pai do coração, São José: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância!” (João 10,10).  José e Francisco na Igreja pelo cuidado fraternal da vida!

Conta a tradição que doze jovens pretendiam casar-se com Maria e que cada um levava um bastão de madeira muito seca na mão. De repente, quando a Virgem tinha que escolher entre todos eles, o bastão de José milagrosamente floresceu (Por isso é representado com um ramo florescido). Assim começou a sua silenciosa e eloquente história. Junto a Maria, São José sofreu a falta de pousada em Belém, quando ela veio dar à luz ao nosso Salvador em um estábulo. Teve também de fugir ao Egito, como se fossem delinquentes, para que Herodes não matasse o menino. Enfrentou tudo confiando na Providência de Deus. Com seu ofício de carpinteiro ensinou sua profissão a Jesus, o seu filho adotivo, do coração; o que foi suficiente para que o Filho de Deus conhecesse o carinho de um pai, que também é capaz de deixar tudo por ir em busca do filho extraviado, como nos ensina a Parábola do Filho Pródigo. A vida humana é o absoluto de Deus!

São José é considerado também Patrono da boa morte porque teve a sorte de morrer acompanhado e consolado por Jesus e Maria. E, não poderia ser diferente: quem serviu à vida recebe o dom da Vida. Eis o porquê da grande Doutora da Igreja e Santa Teresa de Ávila ter sido a maior propagadora de sua devoção. Ela também que fora agraciada de seu cuidado à vida: foi curada de uma terrível pralizia considerada incurável na época. Ela rezou com fé a São José e obteve a cura. Por isso, Santa Tereza sempre repetia: "Parece que outros santos têm especial poder para solucionar certos problemas. Mas a São José lhe concedeu Deus um grande poder para ajudar em tudo". No final de sua vida contou: “Durante 40 anos, a cada ano na festa de São José pedi uma graça ou favor especial, e não me falhou nenhuma só vez. Eu digo aos que me escutam que façam o ensaio de rezar com fé a este grande santo, e verão quão grandes frutos vão conseguir".

O Papa Francisco, por sua vez, em seu providencial pastoreio, resgata a figura modelar de São José para a Igreja em nosso tempo. Fala, sobretudo, com seus gestos de simplicidade, cuidado e carinho com a vida dos sofredores, empobrecidos e pecadores. E por isso quebra protocolos pontifícios, ignora tradicionalistas rubricas romanas, abandona a luxuosa mordomia palaciana, dispensa honrarias reais, dribla os esquemas de segurança, evita os automóveis portentosos e vai às ruas, às esquinas, às periferias para resgatar, curar e restaurar as vidas feridas, descartadas e excluídas. Rejeita uma Igreja legalista e ritualista e reivindica uma Igreja que seja como um “hospital de campanha” num mundo que sofre, uma “Igreja em saída”. E internamente, uma Igreja comonional, de iguais na riqueza da diversidade dos irmãos e irmãs. Uma Igreja que supere a hierarquização ministerial e negue a divisão interna de poder entre clero e laicato. Francisco e José por uma Igreja pobre, dos pobres e para os pobres!

Medoro, irmão menor-padre pecador