Festejamos nessa quarta-feira, 19 de março, a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e Patrono da Igreja Católica. Quis a Providência, há um ano exatamente, para pastorear a Diocese de Roma e presidir a Igreja Católica, Apostólica de Comunhão Romana elevar à Cátedra de Pedro o Papa Francisco. Mais do que uma coincidência de data podemos ler, à luz dos Sinais dos Tempos, um programa de vida e missão para a Igreja de Jesus Cristo no mundo inteiro. Uma Missa festiva na Igreja do Triângulo vai fazer o mergulho no Mistério: José, personificação de Deus-Pai. Papa Francisco, pai para a Igreja, hoje.

            Segundo as Sagradas Escrituras e a genuína Tradição Eclesial sustentada pelo Espírito Santo, a vocação e missão de São José foi o cuidado e a proteção da vida frágil e indefesa de Maria e de Jesus. Em sua maturidade humano-espiritual, ao saber da gravidez da “namorada”, sem ter co-habitado com ela, toma de imediato a decisão de protegê-la. Segundo o costume da jurisprudência religioso-civil daquela época, uma situação como essa deveria implicar numa denuncia de adultério que, para limpar a honra do varão, exigia o apedrejamento em praça pública. Ele se nega a isso e resolve fugir, assume a culpa para proteger a Mãe e o Filho (cf Mt 1,19). José, o protetor da vida!

            Mas, vai além. Permitiu-se três meses de oração e discernimento, quando decide por assumir também o cuidado da vida, e leva Maria e o Menino para a sua casa (cf Mt 1,25). A única razão, que deveria ser também para todo e qualquer cristão frente à vida ameaçada, foi reconhecer naquele nascituro um/o Filho de Deus. Essa sua convicção e solidariedade nascem da uma fé adulta e incondicional de que “quem foi gerado vem do Espírito Santo” (Mt 1,20): a vida humana desde a concepção é dom inviolável. A consciência de José se abre e como que coincide com a vontade do Pai. “Ouviu o travesseiro”, diria o ditado popular, ouviu o Anjo da Guarda. José, cuidador da vida!

            Nos nossos dias dois terços da humanidade são vidas em situação de vulnerabilidade, igualmente indefesas, desamparadas, ameaçadas e descartadas. Uma vez mais Deus fecunda sua Esposa, a Igreja, para que gere Jesus Cristo como Caminho, Verdade e Vida para o mundo (cf Jo 14,6). E lhe dá um novo José, o Papa Francisco com a missão de zelar pela unidade da grande família cristã e para incitá-la à prática caridade e à promoção da justiça. A Igreja fecundada de esperança a partir das palavras e gestos de quem faz e chama à solidariedade libertadora é convocada por ele a ir às ruas e às periferias e tocar “a carne de Cristo nos pobres”. Papa Francisco, protetor da vida!

Tomo por exemplo o apelo do Papa em sua passagem pelo Brasil: “a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais (...).A vida é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde, que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano”  (Visita à Comunidade da Varginha. Quinta-feira, 25 de Julho de 2013)! Papa Francisco, cuidador da vida!

Retomo assim esta coluna semanal, depois de dois meses sob cuidados médicos, a partir desta festa de São José e do Papa Francisco, que nos chamam a tocar na carne do Cristo nos pobres e na Eucaristia, à proteção e cuidado da vida!

Medoro, irmão menor-padre pecador.