
Somos uma grande família que, como Jesus, tem um pai adotivo e operário: São José! Há 50 anos, o então bispo diocesano, Dom José Costa Campos, imbuído do espírito do Concílio Vaticano II, especialmente de sua Constituição Pastoral Gaudium et spes (Alegrias e esperanças) sobre a Igreja no mundo, discerniu que a cidade sob os auspícios de São Sebastião, em franco progresso econômico, via crescer a classe operária que precisava de uma especial solicitude pastoral. Não hesitou, em 1965, de confiá-la ao Carpinteiro de Nazaré. Criou a Paróquia do Triângulo para a evangelização, catequese, promoções humana e da justiça social do povo trabalhador.
Onze anos depois, em 1976, o mesmo bispo, em sua solicitude ao povo trabalhador e à sua saúde, confiou a pastoral da saúde e a enfermagem do Hospital de Clínicas N. S. da Conceição à Congregação das Irmãs Filhas de São José, que ali permaneceram com fecundo apostolado por 23 anos; retomando mais tarde, em 2011, por iniciativa da Providência, para o cuidado da vida dos trabalhadores em situação de vulnerabilidade. Vieram fecundar a missão da Paróquia do Triângulo, a partir do carisma fundacional percebido e explicitado do fundador Padre Francisco Butinyà: “um modo concreto de viver nas pegadas de Jesus, Operário de Nazaré; que se consubstancia na história, no coração da cidade, vivendo em família e trabalhando em tarefas simples, dignificando o trabalho humano”.
Uma desafiante, providencial e provocadora vocação à vida josefina. Numa paróquia de tantas belas e generosas jovens operárias o clamor vocacional não pode por elas não ser percebido. Ora, o trabalho das irmãs está profundamente marcado pela oração-contemplação, que leva a descobrir a presença de Deus em todas as coisas e fazer do trabalho "promessa de amor e tributo de louvor". O trabalho é o meio de buscar a própria santificação e de evangelização, além de ser a maneira de ganhar a vida e um serviço para o irmão e da sociedade. Por isso, desde o início da congregação, a palavra "Oficina" substituiu o nome tradicional do convento para a residência das irmãs, indicando onde e como elas devem viver a experiência da ternura envolvente e providente de Deus.
Essa incursão vocacional de Deus se faz sentir a alegria, jovialidade, amizade e serviço da Irmã Ignez Maria de Araújo. Dos 27 anos das Filhas de São José em nossa cidade temos já por 13 anos (1977-1987 e 1990 a 1992) o seu testemunho admirável de consagrada, celebrando o seu Jubileu de Ouro. Nascida em Campina Grande, no dia 03 de março de 1942, a 9ª filha, entre 11 irmãos, de Clara Maria de Araújo e Severino Maria de Araújo, aos 23 anos de idade fez os primeiros votos nesta congregação, no Uruguai, em 1965, confirmando-os nos votos perpétuos em 1972, no Rio de Janeiro, aonde dedicou, bons anos de sua consagração num gratuito e sacrificado sanatório psiquiátrico. Nesses seus 50 anos viveu e trabalhou, como incansável missionária dos trabalhadores no Uruguai, Argentina, Espanha, Belém do Pará, Rio de Janeiro, Além Paraíba e entre nós, aqui em Três Rios.
É, pois, nesse Ano da Vida Consagrada, mais do que mera coincidência, os jubileus áureos da paróquia e da Ir Ignez, mas um sinal da providência que, a partir da zelosa dedicação desta irmã à defesa e promoção da vida primeira infância, através da Pastoral da Criança, aponta um caminho novo para as nossas jovens militantes dos trabalhos eclesiais. Estas podem e devem, a partir do chamado de Deus, potencializar sua afetividade e fecundidade, para o cuidado das crianças vulneráveis, das famílias de trabalhadores. Vivemos uma hora vocacional! Deus quer dar filhas à São José para o cuidado de seus muitos filhos e filhas excluídos ou feridos no mundo do trabalho. As festividades que tomarão lugar em nossa Igreja do Triângulo, sob a presidência de Dom Nelson, no próximo sábado, dia 18, às 19h, deve ser um momento de gratidão a Deus por Ir Ignez e suas co-irmãs Filhas de São José, de oração por novas vocações e de celebração da Vocação à Vida Consagrada! Jovem, coragem! Venha ser uma irmã Josefina! Parabéns, Irmã Ines!
Medoro, irmão menor – padre pecador.