
Irmãs e irmãos amados. Pessoas de boa vontade! A Pastoral da Juventude fez, no último fim de semana, o seu 4º Acampamento (anual) das Juventudes. Desta vez na Fazenda Três Barras, sob a Orientação da psicóloga Catia Maria Cabral Medeiros. Um momento rico de reflexão para maturação da afetividade humana dos nossos jovens, encerrando a Semana da Família e abrindo a Semana das Vocações à Vida Consagrada. E ali entre nós se encontravam a serviço, Ir Casilda e Frei Manoel testemunhando esse dom de Deus.
Em suas vidas os jovens podiam contemplar o carisma de sua consagração que a Conferência dos Bispos de Aparecida assim sintetizou: “Somos chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois a evangelização é um chamado à participação da comunhão Trinitária” (DA 157). A vocação dos frades e freiras tem um enraizamento Batismal, pois todos somos consagrados ao Senhor e eles tem como característica um jeito próprio de ser Cristão, de viver o Evangelho, uma forma de seguir a Jesus cristo (que a partir do séc.XII, implicam nos votos de pobreza, obediência e castidade).
Trata-se, pois de uma resposta à vocação à santidade. Daí, ter o Vaticano II pedido uma volta às fontes, não só às fontes das distintas congregações, mas às origens da vida consagrada: por que e para que a Vida Consagrada? A Vida Consagrada lança a suas raízes no Novo Testamento naquele grupo mais intimo de Jesus (João, Madalena, Pedro, Marta, Maria, Lázaro e Thiago). No século 2º, passado o tempo das perseguições, quando o ser Cristão tornou-se mera conveniência e o pastoreio um status, surgem os eremitas (que vão sozinhos ao deserto) e os cenobitas (que andam em comunidade pelo deserto).
Assim a identidade não se define pelo “diferente”, mas pela busca da vivencia sempre mais radical do Evangelho. Daí, a identidade da Vida Consagrada é o estilo de vida (e não estado de vida) fundado num carisma para o testemunho na Igreja que interpele e motive os cristãos à fidelidade a Jesus Cristo e ao seu Evangelho (carisma profético).
A partir de então, podemos identificar cinco momentos históricos da Vida Consagrada como re-criação do Espírito. Depois dos Eremitas e Cenobitas que vão viver da oração, como itinerantes, para não compactuar do laxismo moral da época e chamar os cristãos à uma vivência maior do legado de Jesus Cristo surgem entre os séculos 6º e 10º as comunidades que se estabelecem em grandes propriedades para viver da oração e do trabalho. Agora são sedentários. São as ordens monásticas, reconhecidas como as guardiãs da cultura cristã ocidental. São Bento foi o ícone do monacato.
Frente à tendência ao enriquecimento de muitos desses mosteiros, surge a partir do século 13, as chamadas Ordens Mendicantes de cristãos que buscam viver a pobreza, no meio do povo, como pregadores à margem do poder clerical. O símbolo desse momento é S. Francisco de Assis. A partir do século 16 surgem as ordens apostólicas, como respostas missionárias aos grupos humanos sofredores, respostas do Evangelho na encarnação no meio dos pobres. Sobrevivem nas muitas congregações religiosas que atuam ainda hoje entre nós. Aproveito aqui para registrar a nossa gratidão às congregações dos padres do Verbo Divino, dos franciscanos, bem como às Filhas de São José e às irmãs do Divino Zelo pelo fecundo trabalho que realizam entre nós.
Hoje a consciência eclesial sublinha alguns traços comuns ou emergentes da vida consagrada (cf. Documento de Aparecida 217-222). Trata-se de uma vocação para o testemunho de comunhão, sobretudo no meio popular (sem ser substituto dos pastores) e meio cultural, integrada na pastoral local. O específico parece ser a missionariedade nas fronteiras culturais e sociais, com destaque ao profetismo. A partir disso, as antigas congregações são convidadas à volta ao carisma, com revisão das estruturas culturais que já não correspondem o o momento sócio-cultural atual.
Surgem também os novos estilos de consagração – as novas comunidades - com liberdade para excluir ou acrescentar novos votos. Também, a valorização dos carismas pessoais frente à centralidade do carisma funcional. Por fim, três traços importante: a oração em função da missão de toda a Igreja, a contemplação e a atitude crítica frente ao poder e da riqueza. Uma proposta vocacional para jovens destemidos!
Medoro, irmão menor – padre pecador.