Os Conselhos Pastorais das paróquias de Três Rios e Levi Gasparian estiveram reunidos em Retiro Quaresmal no Recanto do Cuca, no último domingo para refletir e rezar o tema: “Eu vim para servir, identidade de Jesus”. A Igreja tem no amor-serviço aos empobrecidos, sofredores e pecadores sua vocação e a missão. O pregador foi o juiz-forano Pe José Carlos Pícoli. À luz do Concílio Vaticano II (1962-1965) – especialmente dos 50 anos da Constituição Pastoral Gaudium et Spes – “Alegrias e esperanças” - que orienta o encontro Igreja – Mundo - , a Igreja, no Brasil, nos ajudou a rezar  mais uma Campanha da Fraternidade que pretende rever, atualizar e aprofundar a presença e atuação da Igreja no Brasil.

Vem do Papa Francisco, a mensagem à Igreja do Brasil, por ocasião do lançamento dessa campanha: “o Senhor quer que façamos parte de uma Igreja que saiba abrir os braços para abraçar a todos, que não seja a casa de poucos, mas de todos, onde todos possam ser renovados, transformados e santificados pelo seu amor: os mais fortes e os mais fracos, os pecadores, os indiferentes e a quantos se sentem desanimados e perdidos. Uma Igreja que se fecha em si mesma e ao seu passado, que só considera as pequenas regras de hábitos e de atitudes, é uma Igreja que trai a sua própria identidade”.

Aliás, essa tem sido a tônica do Santo Padre: uma Igreja em saída, convicta de que não pode guardar para si o que Deus oferece a todos. É necessário, portanto, que a Igreja saia da zona de conforto, do trivial e da mesmice, da sacristia, e vá às periferias existenciais e geográficas, aonde os homens e as mulheres vivem, trabalham e sofrem, e anuncie-lhes a misericórdia do Pai que se deu a conhecer aos homens em Jesus Cristo de Nazaré. A Igreja deve se abrir para servir à humanidade com a apresentação da cidadania, promoção da dignidade da vida e da pessoa humana. É nossa missão imprimir mais humanidade, diálogo, respeito aos valores éticos.

A Campanha deste ano oferece como que uma síntese dos anteriores, uma vez que trata da ação social da Igreja, com base em sua Doutrina Social. O ponto de convergência entre Igreja e Sociedade é a busca do bem comum e o esforço de se construir uma sociedade baseada em princípios fundamentais como justiça, direito, paz, liberdade. Frente ao Estado laico e a Igreja não reivindica para si privilégios. A Igreja Católica, as outras igrejas cristãs e as religiões não cristãs participam e contribuem na vida da nação, somando forças com outros atores sociais, como os movimentos populares, sindicatos, associações de bairro, partidos políticos, etc.

O serviço da Igreja tem três dimensões: assistencial, promocional e transformadora. A assistência aos pobres é o socorro imediato a quem está privado do básico, como a alimentação. A promoção humana contempla o aspecto educacional, permitindo aos pobres sentirem-se cidadãos providos de dignidade, direitos e deveres. A transformação social é meta que vislumbra mudanças das estruturas arcaicas e deformadas que servem aos interesses de uma minoria historicamente privilegiada e concentradora da riqueza da nação.

Uma sociedade justa, democrática e sustentável será fruto de uma ação política, no sentido amplo, em que o povo esteja presente por meio de instrumentos legítimos e eficazes, de forma participativa e não só representativa.

As pastorais sociais da Igreja têm priorizado esse processo educativo de conscientização. Assim, a Campanha da Fraternidade conclama a um movimento para superação da violência e construção da paz. Incentiva os conselhos paritários de participação social e a participação na reforma política. Alerta para a gravidade da degradação ambiental e a necessidade de políticas públicas de defesa da natureza, especialmente na preservação da água. E, por causa da sua missão “em favor do bem integral da pessoa humana”, ganha importância o “diálogo cooperativo fraterno e enriquecedor com a realidade social e as instâncias representativas da ordem social”.

Assim, o nosso Bispo Diocesano virá a Três Rios no próximo dia 24 de março para o “Encontro Igreja e Sociedade: serviço, diálogo, cooperação”. Vai se reunir com a sociedade organizada e com os poderes públicos. Os critérios “a partir dos quais a Igreja discerne a oportunidade e o estilo de seu diálogo e de sua colaboração com a sociedade, são a dignidade da pessoa humana, o bem comum e a justiça social”. Depois, Dom Nélson retorna no Sábado de Ramos, 28 de março, onde participará com nossas juventudes do III Passeio Ciclístico Pedalando pela Paz. Na Praça da Autonomia falará aos jovens e a toda cidade. E na segunda-feira santa, 30 de março, rezará a Via-sacra com as mulheres em situação de prostituição e travestis, na Av. do Contorno, dando o seu apoio à Pastoral da Mulher Marginalizada e a todas as pastorais e serviços sociais da Igreja trirriense. Una-se a nós!

Medoro, irmão menor – padre pecador.