
A Igreja celebrou no último domingo, 18 de outubro, o Dia Mundial das Missões. Os fiéis ofereceram, como de costume, orações e donativos para aqueles que deixam casa, terra e amigos e vão além-fronteiras para anunciar o Evangelho da Alegria. O Papa Francisco em sua exortação reafirmou: Missão é servir! E nesse sentido recordou que é dever de todos nós. A identidade cristã é o amor-serviço na gratuidade! Amor preferencial pelos pobres, enfermos e pecadores marginalizados.
A compaixão pela vida, todavia, deve despertar, não só a solidariedade àqueles que são objetos diretos de nossa diaconia ou que tiveram a ousadia de deixar tudo para ir aos cantos da terra, mas criar o clima vocacional favorável para o despertar nos corações das crianças e jovens o chamado missionário. A IAM – Infância e Adolescência Missionária é a iniciativa mais antiga da Igreja para esta promoção vocacional. Mas, nos últimos anos, tem sido missão também da Pastoral da Juventude.
A Vida Consagrada Religiosa tem sido o espaço mais comum e eficaz para o desabrochar e a vivência da missionariedade além fronteiras. E, nesse sentido, nossa paroquia pode celebrar nessa data o gozo espiritual de ter enviado à Missão ad gentes três de seus filhos: os verbitas Pe Djalma, Pe Rene e a Josefina Irmã Eiliene. E, ao mesmo tempo, pode agradecer também a presença missionária no mundo do trabalho e da periferia das Irmãs Filhas de São José, nas pessoas das Irmãs Pureza, Casilda, Ines e Maria José.
Essas religiosas, missionárias no mundo do trabalho estiveram em nossa cidade por 30 anos, entre 1976 e 2007, como operárias da saúde no Hospital de Clínicas N, S. Conceição. Retornaram à cidade, especificamente em nossa paróquia de São Jose Operário, em 2011, inseridas no meio popular dos trabalhadores/as. Para materializar a gratidão da cidade e da paróquia, foi dedicado o conjunto do espaço de acolhimento e secretaria ao santo fundador dessa querida congregação Josefina, o Pe Francisco Butiña.
Um homem fantástico! Nasceu em Bañolas, Espanha, no ano de 1834. Aos 20 anos, entrou para a Congregação dos Jesuítas, e foi ordenado padre em 1866. Filho de artesãos, desde muito cedo, lutou pela classe trabalhadora, criando em 1875 a querida congregação operária. Sacerdote que se distinguiu por sua humildade e zelo, amou preferencialmente os pobres, principalmente às operárias, e para ajudá-las fundou a Congregação valorizando o trabalho simples, humilde e artesanal. Um carisma que atraiu muitas jovens à missão.
Esse passo ele deu a partir da contemplação de Nazaré: “Lugar escolhido por Deus, escolhido e querido por Jesus; Nazaré é lugar da nova criação, Jesus, o operário, o servo em Nazaré, nos ensina o caminho verdadeiro de vida. Ali se encontra um Deus encarnado, feito homem, ao alcance de qualquer um. Um Deus de toda a vida e para toda a vida. Um Deus que trabalha, que vive”. Dai a missão: “Anunciar aos homens e mulheres do trabalho manual o caminho de liberdade: seguir os passos de Jesus, o operário de Nazaré”.
E nesse memorável Dia das Missões as abnegadas e humildes irmãs promoveram dois fortes gestos missionários. As irmãs Inês e Pureza fizeram com a Pastoral da Criança – com apoio da Confeitaria Deliket –, na Vila dos Pilões, uma festa de solidariedade com as mães solteiras adolescentes e seus filhos em vista de sensibilizá-las para o cuidado da vida. Já a Ir. Casilda reuniu-se com os jovens para refletir a vocação missionária e o seu protagonismo na construção da nova sociedade. Enquanto isso a Ir Maria José nos Talleres de Nazaré aprofundou a espiritualidade Josefina.
Confiamos que o testemunho das Filhas de São José mobilize mais e mais as nossas comunidades para que sejam uma Igreja dos trabalhadores, solidária com os operários desempregados ou subempregados. E que esse testemunho desperte e encoraje nossas jovens à vida consagrada e missionária para o mundo do trabalho. É hora da generosidade juvenil. O mundo clama por justiça e paz, que é o anseio mais profundo das juventudes.
E sejamos todos missionários e servidores da vida e do Deus da Vida!
Medoro, irmão menor-padre pecador.