A Igreja do Brasil celebra anualmente, em agosto, o Mês Vocacional, como tempo privilegiado e intenso para se refletir e rezar pela Vocação Cristã, comum a todos os batizados. E, claro, sobre os dons e carismas diversos que Deus-Pai concede pelo Espírito Santo a cada um em particular, para seguir Jesus Cristo, na Comunidade da Igreja, mediante algum serviço ou ministério específico. Na Igreja, por isso mesmo, ninguém é incapaz, invalido ou inútil. Todos somos vocacionados, chamados e capacitados por Deus para uma missão, não só dentro da Igreja, mas igualmente na sociedade.
    Acontece, todavia, que quando falamos de vocações, nos vem logo à cabeça as vocações sacerdotais, tão numericamente insuficientes para a demanda pastoral. Dai, sempre rezarmos ao Senhor da Messe para que envie operários à sua messe (cf Mt 9,38). Faltam padres para a grande missão da Igreja. E por isso, devemos criar um ambiente favorável ao despertar e desabrochar das vocações sacerdotais nos corações de nossas crianças e jovens. Isso implica certamente em orações frequentes nessa intenção e um testemunho de apreço e comunhão com os nossos padres e entre nós.
    A nossa Igreja de Três Rios merece destaque em toda a Diocese de Valença – presente em 9 municípios; além de Três Rios e Valença,  em Vassouras, Paraíba do Sul, Sapucaia, Rio das Flores, Miguel Pereira, Pati do Alferes e Levi Gasparian, - por oferecer o maior número de vocações sacerdotais, inclusive missionárias além fronteiras. Parabenizamos assim, as nossas famílias e comunidades, como sementeiras de novas vocações! E temos muito ainda o que fazer. Basta, para isto, constatarmos que a maioria das comunidades não tem a sua Missa dominical, porque faltam padres.
    Nesta semana, do agosto vocacional, estamos, pois, todos empenhados em rezar por mais vocações sacerdotais, obedientes à Cristo e à exortação do Santo João Paulo II: “as vocações são resposta do Deus providente à Comunidade orante”! Essa atitude deve ser precedida e acompanhada pelo respeito e valorização dos sacerdotes, especialmente dos que atuam pastoralmente entre nós. São Francisco afirmava aos seus confrades: “se encontrardes num caminho estreito um anjo e um padre, dai primeiro passagem ao padre, pois só ele pode trazer o Cristo à Terra, pela Eucaristia”.
    Contudo, a consciência vocacional da Igreja é mais ampla. O chamado de Deus, como afirmamos acima, é dirigido a todos os cristãos. O laicato todo  é vocacionado à diversidade ministerial da comunidade, cada um com seus dons e carismas específicos. A sua missão é dentro da igreja e também do mundo. Afirmam nossos bispos no recente documento 105 da CNBB: “Leigos e Leigas, Sujeitos Eclesiais e protagonistas na sociedade. Sal da Terra e Luz do Mundo”. Dai a necessidade de superarmos a dicotomia ainda tão forte entre clero/laicato, os que dirigem e os que obedecem. Todos iguais e necessários.
    Faltam leigos e leigas, tanto ou mais que padres, para impregnar a sociedade com o Evangelho de Jesus Cristo. Isso mediante, não apenas o exercício correto de suas funções temporais na família, no mundo do trabalho e na coisa publica, mas como chamados e enviados de Deus como missionários e agentes de transformação da mesma sociedade. Parabenizamos assim, àqueles que atuam, em nome da fé nos ricos e variados campos da educação, da saúde, da habitação, da cultura, do esporte, da politica, da economia, mediante pastorais sociais, associações, cooperativas, ONGs, sindicatos e partidos políticos.
    E dentro da Igreja, os leigos e leigas, estão desafiados a vivenciar a fé como verdadeiros Sujeitos Eclesiais, no pluralismo ministerial, participando assim da vida, missão e decisões da mesma Igreja. Os organismos de comunhão, como os conselhos e assembleias pastorais, existem para viabilizar isso. Urge, pois superar uma certa passividade e alienação de muitos fiéis, bem como a subserviência hierárquica, tão comuns à muitos setores do laicato. Possa, pois, esse Mês Vocacional refontizar, despertar e incrementar a tão necessária ministerialidade de todo o Povo de Deus!
                                                                            Medoro, irmão menor-padre pecador