
Estamos há dias acompanhando pelos meios de comunicação as mobilizações nacionais. Um movimento novo e inesperado, espontâneo e diversificado. Há interpretações diversas e, sem dúvida um noticiário tendencioso na grande mídia, como que induzindo a quem está fora a apoiar as interpretações que esses meios fazem e que não necessariamente são as intenções dessas multidões nas ruas e estradas.
Na segunda-feira passada quando ia a Belo Horizonte para pregar um Retiro para os Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, fiquei por volta de umas seis horas numa paralisação na BR 040, próxima a Congonhas do Campo. Estava há menos de um quilometro do local aonde ocorria a interdição da estrada e o piquete dos motoristas e moradores. Aliás, eram famílias que com suas crianças faziam uma “festa”, inclusive com fogos de artifício. Os camioneiros com as mesmas reivindicações do seu movimento por todo país. E a população local reivindicava uma passarela, devido aos constantes acidentes, com vítimas.
Algumas observações imediatas que merecem nossa reflexão. Queimavam pneus, mas não vi ali nenhum indício de violência, nem por parte dos interessados, nem por parte das centenas de pessoas impedidas de seguirem a viagem. No movimento não se sabia quem eram os líderes. A Polícia Rodoviária chegou com uma viatura e ficou à distância entre nós, inerte. Ate que depois de umas cinco hora paralisados nos assustamos com um comboio de camionetas da Polícia Federal. Nos pareceu a princípio ser a Força Nacional chegando. Mas não passou de um susto. Eram militares federais desavisados conduzindo tais viaturas para Brasília. E dentre eles, alguns foram ao encontro dos “amotinados” que dançavam em torno da fogueira de pneus. Se fizeram interlocutores e mediadores. E depois das 22 horas fomos todos liberados.
O aspecto negativo foi o bloqueio radical que certamente estendido aos ônibus e automóveis, com dezenas de crianças, idosos e até enfermos. Muitos conseguiram retornar. Claro que não menos desconfortável para nós que viajávamos por motivos diversos, para trabalho, lazer e cuidado da saúde. O aspecto altamente positivo foi a enorme paciência dos passageiros e viajantes que esperavam em meio a conversas de descontração e conversas socialmente comprometidas com as causas em jogo. E todas na direção de um consenso que isso acontece porque o país melhorou economicamente e já dá condições aos cidadão de reivindicar outros benefícios sociais. Todavia, com exceção de dois cidadãos reacionários e obtusos, todos apoiavam o governo da Presidente Dilma, por causas dos avanços sociais.
Isso tudo me deu muito esperança por ver o povo unido e solidário, sendo os manifestantes mobilizados por ideais patrióticos e sociais, sem a direção dos antigos grupos de comando (partidos, sindicatos). Assistimos um avanço da democracia social.
Medoro de Oliveira