
Compartilhamos com os amigos leitores o documento inter-religioso sobre o momento que vivemos, sob o título acima.
Vivemos tempos complexos. Além da questão sanitária que se espalha pelo mundo, também sofremos com racismo, preconceitos, violências, incompreensões, guerras, fome e miséria. Atualmente, nossa família humana tem sofrido muito. Muitos enfermos graves nas UTIs dos hospitais; muitas famílias enlutadas. Estamos diante de um momento crítico na história da humanidade; numa época em que todos, independente de etnia, gênero e religião, lutamos para sobreviver. A dor nos une. Possa, desta união, surgir a força de nossa esperança comum. Que o sofrimento se torne, então, uma oportunidade de, como irmãos, nos aproximarmos.
Que esta nuvem avassaladora que tomou conta do nosso planeta, balançando todas as estruturas, nos mostrando o quanto somos frágeis e impotentes, nos torne seres com atitudes dignas e capazes de harmonizar, compreender e respeitar as diversidades.
Estamos em um momento de crise e é justamente agora que precisamos ter esperança, determinação e fé. Para quem crê, nada é impossível. Terá de ser um passo de cada vez.
O direito constitucional nos assegura liberdade de religião. Porém, a diversidade religiosa não deve ser um desafio a ser superado. Muito pelo contrário, deve ser fonte de exemplo para toda a humanidade. Grupos religiosos podem demonstrar que é necessário e possível relacionar-se, para nos conhecermos melhor e também conhecermos ao outro. Quebrar as barreiras dos preconceitos históricos é colaborar, através de nossos gestos, para o respeito mútuo, para o amor ao próximo e para que a sociedade se torne mais pacífica, mais justa e mais fraterna. A religião faz com que as pessoas tragam à tona as boas coisas que têm no coração, para a construção de uma sociedade acolhedora e fraterna. O puro amor sempre nos oferece oportunidades de crescimento em meio às adversidades. Apenas assim, através de uma fé que nos acalma e convida à melhoria, atravessaremos as provas do hoje.
A nossa oração é para que nós, que ficamos, busquemos a força para recomeçarmos a vida e não permanecermos na prostração. É preciso tomar cuidado com o desânimo. Ele pode ser extremamente prejudicial. Com a dificuldade, vem a facilidade, nos ensinando a sermos otimistas, pacientes e repletos de fé.
A esperança não consiste em um vago desejo, e sim no que se enraíza no coração e é confirmado pela ação. Devemos, então, fazer a nossa parte.
Para a esperança se tornar realidade, precisamos agir, dando as mãos e criando uma corrente de respeito que mudará de fato o mundo. Um recomeço que nos aproxime, cada vez mais, um do outro.
A fé é a cura do medo que anula as dúvidas. Compreendemos que a fé junto com a ação se transforma em cuidados, em amor ao próximo.
O ser humano é um milagre. O milagre da transformação e da vida. Que todos estejamos prontos, focados e preparados para essa mudança positiva em nossa sociedade, em nosso universo. O sacrifício de hoje é a certeza do êxito no amanhã.
Reaprendendo juntos, pois este é um novo ciclo da fé; e vamos precisar dessa fé que nos move, que cura, fortalece, muda, transforma e que renasce todos os dias. O amor deve ser espargido por todos. Na esperança, alcancemos a unidade e a diversidade do gênero humano, já que somos flores de um mesmo jardim. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global, baseada no respeito pela natureza, pela vida, pela cultura da paz, pelo respeito às diversidades como fator enriquecedor da humanidade, pelo respeito à vida e a toda a Criação. Somos mais fortes quando nos unimos em prol dos ensinamentos maiores. de oferecermos uma educação ampla e inclusiva, nem de pôr fim ao sectarismo de toda ordem.
A Natureza nos oferece a melhor lição.
Declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros e com as futuras gerações nesse novo recomeçar. Que sejamos artífices de um mundo diferente, pois no mundo que existia, não cuidamos de acabar com a pobreza, de atender às necessidades básicas das populações carentes,
Por mais diversos que sejam os seres, todos convivem, se interconectam e formam a complexidade do real e a esplêndida diversidade da vida. É hora de esquecermos as diferenças e aprendermos a conviver na diversidade enquanto sociedade, pois a preservação da vida e dos valores da paz, da harmonia e da fé são patrimônio comum de todas as religiões. Nascemos com um desafio, que é a transcendência e a reconciliação conosco, com os nossos e com o planeta. É imperativa a união de todas as religiões para esse novo recomeço.
Que nós, religiosos, possamos refletir sobre a importância de mantermos um diálogo e assim, juntos, construirmos uma cultura de paz.
E quando nós vencermos este vírus e vamos vencê-lo, que estejamos igualmente comprometidos em libertar o mundo do vírus da fome, libertar comunidades e nações do vírus da pobreza. Que a dignidade humana não seja afetada por qualquer forma de preconceito. Que possamos zelar pelo meio ambiente e amar ao próximo, demonstrando compaixão, paciência e perdão e assim, oferecermos aos nossos filhos um mundo melhor do que eles conhecem agora.
Rio de Janeiro, 26 de junho de 2020.
Arquidiocese do Rio de Janeiro
Conselho de Igrejas Cristãs do Rio do Janeiro (CONIC-RJ)
Comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Instituto Expo Religião
Budismo Primordial
Judaísmo
Missão Somos Um
Matrizes Africanas:
- Mãe Meninazinha de Oxum
- Marcio de Jagun
- Pai Bira de Sango
- Mãe Nilce Naira
Umbanda
Catimbó
Espiritismo
Wicca
Evangélicos:
- Pastor Silas
- Dr. Douglas
- Pastor Ayo
Fé Bahá´i
Hare Krishna
Tradição Cigana
Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias
Ifaísmo
Islamismo Sunita
Islamismo Xiita
Xamanismo
Medoro, irmão menor-padre pecador