En-cantando a Vida!

            Compartilho abaixo, com o leitor amigo, a foto da primeira apresentação pública – além dos muros da Igreja – do recém criado Coral Operários de São José, sob a regência do jovem voluntário e competente Maestro Pablo Martins Belizário. O fato se deu no auditório da UFRRJ-Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro por ocasião da Conferência Municipal de Promoção Humana e Social, realizada no último dia 10 de maio. Calorosamente aplaudido pela bela harmonia das múltiplas vozes, foi também elogiado pela escolha feliz dos temas das músicas que en-cantaram a vida!

 

            O destaque nesta coluna quer registrar mais uma expressão da Escola de Música Frei Neylor Tonin, das CEBs da Paroquia de São José Operário, sob a direção do voluntário e altruísta pedagogo Eduardo José Pires, que entre as suas múltiplas Oficinas de Violão, Teclado, Bateria, Flauta e Capoeira para a inclusão social e religiosa das novas gerações de crianças, adolescentes e jovens, viu nascer no último ano uma Oficina de Canto Coral também para pessoas adultas e idosas, cujo primeiro fruto é esse coral.

E mais. Leigos e leigas da Igreja dos pobres evangelizando a cultura trirriense! A fidelidade a Jesus Cristo e à proposta do seu Evangelho implica necessariamente no cuidado da vida ferida, ameaçada, excluída e marginalizada. Basta lembrar a autoconsciência de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). A crise sócio-politica-econômica que joga dezenas e dezenas de operários nas ruas cria uma cultura do desencanto que fere, sobretudo os jovens e os idosos. Urge defender e promover a vida!

Isso implica também no reen-cantamento da vida numa cultura marcada pela perplexidade, pelo vazio existencial, pela solidão e, porque não dizer, pela tristeza, pelo absurdo e pelo irracional. Recordemos que o primeiro milagre de Jesus, narrado pelo Evangelho de São João não foi para socorrer um necessitado, doente ou moribundo, mas foi encantar a festa de casamento de São Judas Tadeu transformando água em vinho, as Bodas de Caná (Jo 2,1-12).

A sonhada cultura da paz integra justiça e beleza, ética e arte, inclusão social e afirmação cultural. Que riqueza vamos descobrindo na periferia da cidade! Que impacto humanizador a cidade invisível ganhar publicidade: os de “fora” cantando encantam os agentes, cientista e autoridades sociais, os iletrados no palco de uma universidade! A vida bonita, saudável, lúcida e feliz para todos é possível! A paz é possível! Já começou...

Medoro, irmão menor-padre pecador.