
Os bispos de Belo Horizonte apresentaram, na última semana, uma carta com orientações e critérios que auxiliam eleitores na definição de seus candidatos, neste segundo turno das Eleições 2018. Trata-se de uma reflexão sobre a sociedade brasileira, onde estamos vendo extremismos e situações de polarizações preocupantes e que exigem uma reação dos cristãos e demais cidadãos de boa vontade à luz de valores e princípios universais. A Igreja não indica candidatos, mas busca recordar a todos os cidadãos e cidadãs que o direito de fazer suas escolhas deve pautar-se nos princípios humanitários e cívicos que garantam o bem comum. Eis a carta na íntegra:
“Bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt 5,9)
Eleições 2018
Do Arcebispo Metropolitano e Bispos Auxiliares da Arquidiocese de Belo Horizonte
Aos cristãos católicos, fraternalmente a todos os cristãos e aos homens e mulheres de boa vontade!
O contexto eleitoral brasileiro, marcado por intolerâncias, extremismos, polarizações e discriminações tem impactado destrutivamente os relacionamentos entre pessoas, famílias, Igrejas e segmentos sociais.
A sociedade brasileira sofre com as fragilidades de um sistema político que necessita de reformas urgentes. O povo brasileiro deve se mobilizar para fortalecer a democracia e caminhar rumo ao desenvolvimento integral e sustentável, promovendo inclusão e bem-estar, principalmente, dos mais pobres.
Princípios fundamentais e irrenunciáveis:
Os cidadãos, na liberdade de suas escolhas, devem se orientar por critérios capazes de promover a justiça, a fraternidade e a solidariedade à luz do Evangelho de Jesus Cristo, que permite enxergar estes princípios:
1. Valorizar e promover a família, defendendo a vida em todas as suas etapas, da fecundação ao declínio natural, opondo-se à legalização e prática do aborto, ao uso das drogas e à pena de morte.
2. Cuidar dos pobres, por meio de políticas públicas efetivas, para combater a desigualdade social, a exclusão e todo preconceito.
3. Promover efetivamente a paz, tornando-a princípio intrínseco das políticas públicas e das ações de Governo, na contramão do discurso do ódio e da discriminação.
4. Garantir a liberdade religiosa e a identidade própria do Estado Laico.
5. Promover e comprometer-se, incondicionalmente, com o Estado Democrático de Direito, garantindo a todos a participação política e o acesso a direitos socioeconômicos e culturais.
6. Governar respeitando a autonomia e promovendo a harmonia entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, sempre a serviço do povo brasileiro, opondo-se a todo corporativismo.
7. Regulamentar – jurídica, técnica e politicamente - o cuidado da natureza, preservando o Planeta Terra, nossa Casa Comum, para superar a perniciosa idolatria do dinheiro e do lucro.
8. Acolher e respeitar as ricas diferenças que marcam a sociedade brasileira, combatendo a violência e tudo aquilo que a promove.
9. Combater, efetivamente, os esquemas de corrupção em todos os níveis e segmentos da sociedade para banir a depredação de valores ético-morais e do Bem Comum.
10. Respeitar a Constituição Federal, que determina em seu Art. 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”
CONVOCAMOS todos a adotar o horizonte educativo e iluminador do Sermão da Montanha - em Mateus 5, 1-7,29 - que reúne princípios incomparáveis para qualificar a cidadania e reconstruir a sociedade brasileira.
(Seguem as assinaturas do Arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo e de seus cinco bispos auxiliares)
Medoro, irmão menor-padre pecador