Bem-aventurados os que governam em equipe e fazem da política um grande mutirão democrático. (...) Bem aventurados os que governam sob a arte de saber ouvir e assinam decretos e decisões sem tingir o papel de sangue”   (Frei Beto).

Durante essa semana, estamos realizando a 5ª Semana da Cidadania, promovida pelo Movimento Fé e Política, na paróquia São José Operário. Estas atividades estão em consonância com “O Grito dos Excluídos” que acontece em todo País, que esse ano tem a preocupação com os Direitos e a Democracia que sofrem todos os tipos de agressões por um poder que representa apenas os interesses do capital.

A fome, a miséria, a violência e todos os atentados contra a pessoa humana vêm aumentando e se tornando naturais no nosso meio. O Grito por Direitos é a luta contra qualquer retrocesso que tire dos trabalhadores as mínimas condições de sobrevivência e de dignidade de filhos de Deus. O Grito pela Democracia é a luta pela garantia do estado de direito, em que o acesso aos bens sociais e econômicos sejam o resultado da participação política dos cidadãos. Mas estamos vivendo numa democracia que exclui milhões de pessoas pelo desemprego, ao mesmo tempo em que inclui um grupo de Brasileiros (banqueiros e empresários) no rol dos homens mais ricos do mundo. O nosso Grito é um grito pelo empoderamento popular, em que os movimentos sociais, as organizações populares se fortaleçam de forma autônoma e comprometida com a vida, em que a Terra, o Trabalho e o Teto não sejam privilégios, mas garantia mínima de vida digna. Isso nos faz remeter às palavras do Papa Francisco que chama a toda a igreja a gritar de forma profética contra aquilo que leva à morte de muitos: “O capitalismo impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão ou na destruição da natureza. A primeira tarefa é colocar a economia a serviço dos pobres. Os seres humanos e a natureza não devem servir ao ‘Deus do dinheiro’. Precisamos dizer ‘não’ a uma economia de exclusão e desigualdade na qual o dinheiro domina, em vez de servir” (Santa Cruz de La Sierra na Bolívia).

Por isso, os Cristãos, nessa semana são chamados à oração e ao grito. Elevarmos as nossas preces a Deus para que possamos, no nosso dia a dia, na nossa prática de fé assumir a prática inclusiva de Jesus junto aos excluídos, discriminados e oprimidos do seu tempo e de hoje também. E Gritar de forma profética contra os vendilhões da dignidade humana em prol dos interesses do “deus” mercado.

Iniciamos no sábado com o filme “A Onda”,  com a assessoria do sociólogo e historiador Alexandre Rodrigues em que  debatemos  as ideologias que aparecem no meio de crises e justificam as práticas de preconceitos étnicos, de gêneros, sociais e religiosos no nosso meio e o perigo de propostas que surgem para tirar qualquer possibilidade de crítica e liberdade.

No domingo, fizemos, enquanto comunidade paroquial, uma peregrinação em Romaria Mariana ao Santuário de Nossa Senhora de Monte Serrat, onde colocamos as nossas preces e intenções por um país mais justo e solidário.

Na segunda-feira, com o Tema: Democracia entre a representatividade e a participação popular, com a presença do economista José Luís Fevereiro da fundação Lauro Campos e do sociólogo Gilberto Simplício do Movimento Fé e Política, fizemos um rico debate sobre a importância da participação popular e dos desafios da democracia representativa, num momento essa representatividade é cada vez mais questionada.

Na terça feira, fizemos o debate do Tema: Direitos fundamentais e o futuro da democracia, com a presença do professor do Curso  de Direito da UFRRJ Rulian Emmerick e com o Cientista Político Helid Raphael de Carvalho que colocou a necessidade de ficarmos atentos  a tudo o que e passa  nesse momento político, onde o Estado de Direito é cada vez mais agredido.

E hoje, nessa quarta, teremos o debate sobre Papa Francisco e a Igreja em Saída: cristãos-cidadãos por Democracia. Com a participação da teóloga da PUC-Rj Eva Aparecida Resende juntamente comigo, em que poderemos aprofundar o nosso papel enquanto cristãos e cidadãos na construção de uma democracia popular e participativa.

Para fechar a Semana da Cidadania, iremos participar da Romaria dos Trabalhadores que acontece todos os anos nesse dia 7 de setembro em Aparecida do Norte, unidos às vozes dos trabalhadores de todo Brasil, nesse ano Mariano, pedindo a intercessão de Nossa Senhora por um país mais digno e solidário

Acreditamos que essa Semana da cidadania nos fortalece, pois  somos responsáveis para mudar os rumos dessa história e, para isso, é necessário nos colocarmos como protagonistas dessa mudança aqui na nossa região. É nas nossas cidades que podemos iniciar alguma mudança. É fortalecendo a prática política que nós conseguiremos realizar alguma transformação e não ao contrário, enfraquecendo e demonizando-a. Para uma democracia de qualidade, ou como diz o sociólogo Boaventura Sousa Santos, democracia de alta intensidade, faz-se necessária uma mudança de postura frente aos desafios que surgem na conjuntura política e econômica. Devemos acreditar que podemos reverter toda e qualquer tentativa de tirada de direitos, que podemos modificar a forma de nos relacionarmos com o poder. Deixarmos de ser submissos para sermos interventores, agentes sociais. Não existe neutralidade quando a vida está em perigo. A nossa fé nos interpela a nos posicionarmos diante dos acontecimentos.

Medoro, irmão menor-padre pecador